Marilena Chauí promete briga no Conselho de Educação

A professora Marilena Chauí tomou posse nesta segunda-feira na Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) prometendo briga. Com críticas ao sistema privado de ensino superior e ao que chamou de "privatização do ensino público", a professora da Universidade de São Paulo e filósofa afirma que "há muita coisa para ser desfeita, muita para ser refeita e muita para ser feita" na educação superior.Marilena será um dos conselheiros responsáveis por analisar pedidos de credenciamento e autorizações de funcionamento de cursos superiores no País. Desde o início da avaliação do ensino superior, há disputas e trocas de acusações entre o Ministério da Educação e o CNE sobre quem seria o responsável por permitir aavalanche de novos cursos e também a manutenção daqueles comprovadamente sem qualidade.Necessidades "inventadas"De acordo com a professora, o que foi feito antes não pode ser mexido, mas daqui para frente ela pretende brigar para tornar mais dura a aprovação de novos cursos. "Não vai ser fácil, vai ser complicado, vai ser uma batalha. Mas eu vim para brigar", afirmou.Marilena criticou ainda o fato de estarem sendo abertos novos cursos superiores em áreas até pouco tempo inexistentes, provocando uma especialização demasiada. "Inventa-se uma requisição do mercado e, como a universidade pública não tem condições de atendê-la, abrem-se mais cursos particulares. As empresas de educaçãoinventam essas supostas necessidades", afirmou.Crítica a fundaçõesDizendo-se uma defensora da universidade pública, a professora também não poupou críticas a essas instituições. Lembrou que muitas universidades federais têm fundações que oferecem cursos de extensão ou pós-graduação com altas mensalidades, usando a infra-estrutura das instituições e os professores dessas instituições."É preciso recuperar o papel e a dignidade da universidade pública", disse.Posse atrasadaMarilena foi incluída pelo ministro da Educação, Tarso Genro, na lista de conselheiros apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril. Pela primeira vez desde a sua fundação, o Conselho teve sua posse atrasada porque a lista final de indicados não era definida.Entre os problemas havia um sério lobby de instituições particulares que tentavam emplacar alguns de seus dirigentes. A posse dos conselheiros - cerca de dois terços do CNE foi modificado - acabou ocorrendo em maio. A professora, por estar no exterior naquela data, só pôde tomar posse agora.

Agencia Estado,

15 de junho de 2004 | 18h30

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