Marika Gidali fala sobre a dança na universidade

De um lado, uma carreira de 50 anos. Do outro, uma iniciante que sonha em começar. As diferenças entre Marika Gidali, de 63 anos, e Juliana Afonso, de 18, não param por aí. A experiente dançarina - que aprendeu toda a teoria de sua arte com os livros - não teve a oportunidade que Juliana terá: cursar uma Faculdade de dança. As diferenças que Juliana terá em sua futura formação chegam a surpreender Marika, que vive apenas da dança. Ela começou no palco, e dele não saiu mais. "Essa mistura entre o palco e o estudo é uma evolução que formará ótimos dançarinos, mas é preciso saber escolher o lugar certo para estudar", diz. Juliana estuda no Colégio Nossa Senhora do Morumbi, e prestará vestibular para o curso de dança. Acompanhe o encontro de gerações promovido pelo Jornal da Tarde. Juliana - Entre os tipos de dança, qual o mais valorizado no mercado? Marika - Todas as modalidades são importantes. O ideal é que a dançarina saiba todos, ou pelo menos tenha tido alguma experiência neles. Para ficar em alguns exemplos, é básico saber as danças clássica, contemporânea e moderna. Juliana - Como fazer para escolher uma faculdade que me forme realmente uma profissional? Marika - Hoje existem boas faculdades mas, antes de entrar, é bom pesquisar para saber se você receberá o diploma do curso. É importante entrevistar o responsável do curso e perguntar tudo. Não acho que uma proliferação descontrolada de cursos faria bem para a profissão. Uma coisa boa dos cursos de hoje é que possibilitam uma especialização, que acaba criando uma abertura de áreas na dança. Juliana - Você acha que a dança é um trabalho que dá condições para viver? Marika - Em primeiro, não podemos esquecer que não somos nós que escolhemos a dança, é ela que nos escolhe. A carreira de uma dançarina - ou dançarino - é curta, portanto você tem que ter certeza do que quer. Em relação às condições de vida, eu sempre vivi da dança, consegui me sustentar. Dos meus seis filhos, um ainda dança, outros dois já dançaram. Portanto, acho que ela oferece boas condições de vida. Juliana - Em relação aos festivais, qual é a sua opinião? Marika - Os festivais são apenas momentos artísticos. Não gosto. Essa competitividade não é uma característica da arte, não é produtivo para a carreira. O melhor é se apresentar e seguir tendo prazer na dança. Juliana - O que fazer depois da faculdade? Marika - Você não pode abandonar os palcos. Continue a fazer cursos, buscar até mesmo fora do país novos conceitos para aprimorar os seus conhecimentos. Mas o conhecimento que está sendo trazido de fora pelos jovens não pode transformá-los em estrangeiros dentro do Brasil.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2002 | 16h53

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