DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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Marcar presença na vida dos jovens

Adolescentes perderam os contatos sociais durante a pandemia, tão importantes nesta fase da vida

Rosely Sayão*, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2022 | 05h00

Desde o início da pandemia de covid-19, cientistas trabalham 24 horas para conhecer melhor esse vírus e suas variantes e, dessa maneira, controlar a doença. Muito se descobriu até agora e, hoje, a saúde física está bem mais protegida contra o vírus.

E a saúde mental, principalmente de crianças e adolescentes? Os últimos foram especialmente afetados por todas as medidas de prevenção. As escolas fecharam, bem como os locais costumeiros de encontro deles – shoppings, academias, festas, etc – e os jovens, sem terem onde encontrar seus pares, ficaram confinados no ambiente doméstico. Claro que as repercussões sobre a saúde mental deles foram – e são – intensas e exigem cuidados. Mas ainda pouco sabemos sobre a amplitude de tais consequências. 

Por que o relacionamento social, principalmente com os pares, é tão importante no período da adolescência? É justamente nessa etapa da vida que se inicia o processo de emancipação da tutela diuturna dos pais: os filhos passam a ter um pouco mais de liberdade, muitas vezes à revelia de seus pais, por terem maior autonomia de ir e vir sem a companhia deles, ficam menos dependentes dos genitores, e questionam muito os costumes, valores e ensinamentos recebidos da família. Aliás, é por isso que se espera uma temporada de conflitos familiares intensos nessa época.

Para que tudo se desenvolva bem, no entanto, o adolescente precisa de um grupo de pares, o que lhe foi retirado com as medidas de distanciamento social. Isso colaborou para que se entregassem aos jogos eletrônicos, às redes sociais, e muitos ao uso de bebida alcoólica e tabaco. Então, a saúde mental deles que, já antes da pandemia exigia atenção, ficou mais frágil ainda.

Assim, o estresse provocado pelo excesso de informações, a ansiedade, a depressão, a tensão e outros sintomas passaram a fazer parte da vida deles. Não é à toa que muitos precisaram procurar ajuda, profissional ou leiga, para aguentar a barra.

Eles estão precisando – e muito – de nós, adultos da família, da escola, do círculo de amigos do grupo familiar. Eles necessitam de uma rede de apoio neste momento.

Podemos amenizar o sofrimento deles dialogando com suas angústias e medos, por exemplo; orientar para a busca de tratamentos na área de saúde mental, quando isso se mostrar necessário; construir, com a participação dos filhos, a organização das tarefas domésticas para que ele se sinta integrante ativo do grupo. Vamos marcar nossa presença na vida deles neste momento! 

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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