Manifestantes voltam a bloquear reitoria da USP

Grevistas prometem fechar na quinta-feira acesso principal da Cidade Universitária

Simone Iwasso e Elida Oliveira, Especial para O Estado de S. Paulo

02 Junho 2009 | 16h57

Alunos, professores e funcionários da USP fizeram uma manifestação pela manhã contra a ação da PM no campus ontem e  voltaram a bloquear o prédio da reitoria. Mais tarde, expulsaram policiais militares da área do Cepeusp, complexo esportivo da Cidade Universitária. Na quinta-feira, às 6 horas, funcionários em greve prometem bloquear a entrada principal do campus, impedindo o acesso de quem chega pela Avenida Alvarenga.   Com o piquete na reitoria, funcionários que não aderiram à greve e a reitora Suely Vilela trabalharam em outro prédio da Cidade Universitária. À tarde, não havia mais obstrução, mas a reitoria permanecia fechada. Três guardas universitários e dois vigias particulares faziam a segurança do local.   No caso do Cepeusp, a confusão aconteceu por volta de 13h30. Uma dezena de funcionários em greve tentou impedir uma estudante de entrar no local. "Ela disse que queria entrar para fazer exercícios e chamaria a polícia se tentassem barrá-la", disse Magno de Carvalho, representante do sindicato dos funcionários, o Sintusp. A garota, que se identificou como aluna da Farmácia, cumpriu a ameaça. Quatro policiais foram ao local em dois carros. "Eles ficaram perguntando ao nosso pessoal quem era o líder e ficaram ameaçando levar um colega", afirmou Magno.   O sindicalista disse que os funcionários que estavam diante do Cepeusp pediram a ajuda de um grupo muito maior de manifestantes, "cerca de 1.500", que participava do cerco à reitoria. "Uns 500 foram para o Cepeusp", afirmou Carvalho. Vaiados e cercados por manifestantes, os PMs deixaram o local rapidamente. No 16º Distrito, que atende à região do campus, não houve registro de ocorrência relacionada a esse episódio.   Os funcionários estão em greve desde o início de maio, mas a situação na USP ficou mais tensa desde que, há uma semana, funcionários em greve bloquearam oito prédios da Cidade Universitária. Ontem, o campus amanheceu ocupado por PMs da Força Tática, que liberaram o acesso aos prédios da atual e da antiga reitoria, do Cepeusp, da coordenadoria do câmpus, da coordenadoria de assistência social, dos Museus de Arte Contemporânea (MAC) e Arqueologia e Etnologia (MAE) e da creche oeste.   A PM só deixou o campus às 18 horas de ontem. "A entrada da PM não foi violenta, mas a presença deles foi. Aqui é um lugar de pesquisa e não de repressão", afirmou um funcionário do Departamento de Psicologia, que não quis se identificar.   Cartaz com crítica à PM: "Aqui é um lugar de pesquisa, não de repressão", diz funcionário (foto: Valéria Gonçalvez/AE)   Estudantes do campus da Unesp em Marília foram à Cidade Universitária prestar solidariedade aos grevistas. "O peso da USP é muito grande. Se a PM entrou aqui com 80 mil estudantes, imagine em Marília", disse o aluno da Unesp Matheus Rodrigues, que se concentrou com colegas ao lado do MAC.   Os estudantes de cada curso se reunirão hoje em assembleias, com horários variados, para discutir a mobilização. Amanhã, às 19 horas, haverá uma reunião do Comitê de Mobilização dos Estudantes da USP. Na quinta-feira, às 18 horas, será realizada uma assembleia geral.

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