LUIZ CLÁUDIO BARBOSA/ ESTADÃO CONTEÚDO
LUIZ CLÁUDIO BARBOSA/ ESTADÃO CONTEÚDO

Manifestantes tentam invadir secretaria de Educação de SP

Segundo PM, grupo passou portão de ferro e quebrou porta, antes de ser detido com gás; Apeoesp alega ação espontânea de grevistas

Paulo Saldaña e Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

23 Abril 2015 | 14h13

Atualizada às 20h06

SÃO PAULO - Professores do Estado em greve tentaram invadir a sede da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo na tarde desta quinta-feira, 23. De acordo com a Polícia Militar, 60 manifestantes ultrapassaram um dos portões de ferro da secretaria e quebraram uma porta de vidro. Eles foram contidos antes de entrar no prédio. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp).

A PM usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta para impedir a invasão. Não houve feridos nem detidos no protesto. Com medo, servidores se esconderam em salas do prédio. A ação dos manifestantes aconteceu após uma reunião entre o secretário Estadual de Educação, Herman Voorwald, e a cúpula da Apeoesp - que comanda a greve da categoria, iniciada no dia 16 de março. 

Na reunião, a secretaria não chegou a fazer uma proposta de reajuste, mas, segundo a pasta, se comprometeu a manter a política de aumento salarial dos últimos quatro anos - com data-base em julho. O sindicato pede 75,33% de reajuste. Como o encontro terminou sem acordo, alguns manifestantes decidiram invadir o prédio.

 

O vice-presidente da Apeoesp, Fabio de Moraes, disse “entender” a motivação dos grevistas ao invadir o prédio, mas destacou que a ação não partiu de uma “deliberação” do sindicato. “Uma parte dos professores, de forma espontânea, decidiu pela invasão, mas não foi essa a nossa deliberação. Nossa reação foi apenas tirar as pessoas de lá para evitar que se machucassem”, disse.

De acordo com o comandante da PM, Luiz Augusto Ambar, um boletim de ocorrência por danos ao patrimônio público foi registrado contra os grevistas. Após a tentativa de invasão, eles seguiram em passeata até a Praça da Sé. Inicialmente, pretendiam bloquear a Marginal do Tietê, mas decidiram finalizar o ato depois de a Tropa de Choque bloquear a manifestação já na Rua Anita Garibaldi, na região central.

De acordo com a PM, cerca de 300 manifestantes participaram do ato. Já a Apeoesp informou a participação de 2 mil pessoas. Após o ato, os professores decidiram em assembleia realizar um novo protesto na tarde desta sexta-feira, 24, desta vez na Avenida Paulista. 

Em nota oficial, a Secretaria de Educação informou que repudia a depredação e a tentativa de invasão e classificou a ação como “truculenta, não democrática e inaceitável”. Segundo o texto, o ato deixou vigias e seguranças feridos. No entanto, não informou quantos. A secretaria disse ainda que permanece aberta ao diálogo. 

Violência. Este foi o segundo episódio de violência ocorrido durante a greve dos professores, que já dura mais de um mês e até então seguia pacífica. Na quarta-feira, um dos grevistas foi detido após participar de empurra-empurra para entrar no auditório Juscelino Kubitschek, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). 

Ele foi encaminhado para o 36.º DP (Vila Mariana), assinou um termo circunstanciado e foi liberado em seguida. Durante o tumulto, um vidro foi quebrado e um policial militar ficou levemente ferido, segundo a PM. 

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