Isabela Palhares/Estadão
Isabela Palhares/Estadão

Manifestantes ocupam Avenida Paulista contra cortes na educação

Avenida está totalmente interditada em ambos os sentidos; PM espera ao menos 10 mil manifestantes

Isabela Palhares e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2019 | 14h50

SÃO PAULO – Aposentados, famílias, alunos de ensino médio, universitários, professores e pesquisadores se uniram nesta quarta-feira, 15, em um protesto contra os cortes do governo Jair Bolsonaro (PSL) na educação básica e no ensino superior. Eles ocupam a Avenida Paulista desde a tarde desta quarta-feira, 15, e o trajeto deve seguir até a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), no Ibirapuera. 

Jovens com uniforme da escola, camisetas de universidades em que estudam e pessoas usando adesivos com frases "eu luto pela educação" e "livros sim, armas não" já tomam parte das calçadas da avenida Paulista no início da tarde desta quarta-feira, 15. Eles caminham para a concentração do ato em defesa da educação no Masp. 

A empresaria Luana Magalhães, de 37 anos, trouxe os dois filhos de 7 e 4 anos para a manifestação. Mesmo com os filhos matriculados em escola particular, ela disse entender que é uma luta de todos. "Quero que meus filhos possam ir para uma universidade pública, que tenham a opção de ser cientistas se quiserem. Essa luta não é só por eles, mas pelo país. Sem educação, não vamos a lugar nenhum", disse. Os meninos estavam com adesivos na roupa que diziam "eu luto pela educação".

Já a professora aposentada Josefa Laurinda, de 79 anos, disse que em mais de 40 anos dedicados à sala de aula nunca viu um cenário tão desanimador para o ensino. "Tratam professores como inimigos, cortam verba. Quem vai querer dar aula? Quem vai continuar ensinando? Precisamos valorizar a educação", opinou.

Professor titular de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Hugo Monteiro estava no protesto contra o que chama de "desgoverno" de Bolsonaro. "Ele só chegou onde chegou por causa da ignorância e da falta de educação do país", disse.

Alunas de um cursinho pré-vestibular em São Bernardo, Milena Mariqui e Maria Eduarda Fontes, ambas de 18 anos, contaram que o corte nas bolsas e o bloqueio do orçamento para as universidades federais as deixaram assustadas. "Estou estudando porque meu sonho é fazer psicologia e não sei como vai estar o curso com esses cortes. É uma sensação de desamparo", disse Maria Eduarda. 

O doutorando João Victor Mello, de 34 anos, contou ter sido um dos atingidos pelo corte de bolsas na Capes. Ele Estuda geociências na USP e diz que, sem a bolsa de estudos, dificilmente conseguirá terminar sua pesquisa. "Não vamos aceitar que acabem com a educação e ciências sem fazer nada. Vou protestar o quanto for necessário para reverter esse quadro"

A publicitária Ana Gláucia Turco, de 42 anos, levou a filha Luana, de 11 anos, ao protesto contra cortes na educação que ocorre nesta quarta-feira, 15, na Avenida Paulista. Elas estavam acompanhada de um grupo de pais e alunos da Escola da Vila, da zona oeste da capital, que suspendeu as aulas na tarde desta quarta-feira, 15. "A gente veio mostrar que todo mundo tem que defender a escola pública", disse Luana. Para a mãe, a participação na manifestação é importante para a consciência política da filha.

Trajeto

A Polícia Militar espera ao menos 10 mil manifestantes na Paulista. O número foi passado em uma reunião ocorrida na sexta-feira, 10, entre integrantes da Apeoesp e agentes da CET, da GCM e da PM, na sede do 11° Batalhao da PM, na Rua Vergueiro. "O combinado é que uma das pistas da Paulista seguisse livre, mas a gente sabe como é, é difícil manter o controle", disse o capitão da PM Roberto Adashi, oficial que lidera o acompanhamento da operação. 

A CET já bloqueou o trânsito da Paulista e os agentes da Rocam (os PMs de moto) estão ajudando a organizar o transito, segundo a corporação. 

Educadores e estudantes mudaram a rotina de quem trabalha pela avenida. Homens engravatados e de roupa social se deparam com grupos de estudantes cantando Palavras de ordem contra os cortes na educação e as políticas defendidas pelo governo Jair Bolsonaro. "Eles têm que defender as universidades e escolas mesmo é o futuro do País que esta em jogo. Fico feliz que eles estejam mobilizados", disse a comerciante Laís Paes do Carmo, de 35 anos. 

Já o empresário Luis Gustavo de Lima, de 45 anos, não concorda com a manifestação por achar "exageradas as críticas ao governo". "Se gasta muito com universidades e políticas que não deram certo. Tem que cortar o dinheiro mesmo, o país está em crise", disse.

O professor Cláudio Fonseca (PPS), vereador paulistano que está no caminhão de som do Sindicato dos Professores, diz que a ideia é fazer uma série de discursos políticos de partidos e sindicatos contra os cortes na educação. “Depois, a ideia é ir até a Assembleia Legislativa, descendo pela (Avenida) Brigadeiro (Luís Antônio) até o Ibirapuera.”

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