Colégio Mackenzie
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Mais do que conteúdo, escolas ensinam cidadania

Colégios trabalham projeto de vida com alunos, competência exigida pela Base Nacional Comum Curricular

Thaís Ferraz, especial para o Estado

15 de setembro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - A escola é fundamental para a transmissão de conteúdo e conhecimento, mas também na formação de indivíduos. Desde 2017, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca projeto de vida como uma das dez competências norteadoras da educação básica no País. Em São Paulo, diversos colégios implementaram programas nesse sentido.

O Colégio Presbiteriano Mackenzie já realizava ações que buscavam orientar estudantes em relação ao futuro e à carreira profissional. Em 2018, no entanto, a escola sentiu necessidade de ir além.

“Percebemos que nossos jovens têm cada vez mais dúvidas”, explica a professora Marcia Regis, diretora pedagógica da instituição. “São muitas opções e às vezes a escola fica tão focada no ensino de disciplinas e conteúdos elementares que não abre espaço para o autoconhecimento.”

O 3.º ano do ensino médio foi escolhido para dar início ao projeto de vida. Hoje, todos os alunos dessa etapa podem experimentar o programa. As atividades não são obrigatórias, mas cerca 670 estudantes (ou 85% do total) participam. Entre as ações estão Carreira em Debate, que traz profissionais de várias áreas para conversas com os alunos, e o Confemack, que simula conferências da Organização das Nações Unidas (ONU), além de orientações para processos seletivos.

“Com um coaching, os alunos aprendem ferramentas para o autoconhecimento”, diz Marcia. “Eles passaram a se atentar para as atividades a que se dedicam, recebem ajuda para a escolha profissional e traçam um mapa de suas vidas. Com essas atividades, constroem as próprias trilhas.”

O Colégio São Luís oferece atividades de projeto de vida para séries dos ensinos fundamental e médio. Os temas são trabalhados em duas frentes: vida saudável, que aborda questões como autoconhecimento, espiritualidade e prevenção ao uso de drogas, e vida em sociedade, que trabalha ética, pluralidade cultural e política, entre outros assuntos.

As atividades são divididas de acordo com as séries escolares.

“Nos primeiros anos, trabalhamos o desenvolvimento de valores, cuidado, respeito e convivência”, explica Laurindo Cisotto, professor e orientador educacional do colégio. “Com o tempo, isso vai fluindo para as escolhas da vida estudantil e do futuro.” 

Experiência

O orientador destaca o programa Estágio por um Dia. Nele, alunos do 3.º ano são levados a empresas, onde entram em contato com as profissões na prática.

“É uma oportunidade única porque ainda é muito difícil aproximar o mundo do trabalho da educação”, diz o orientador. “E isso ajuda os estudantes a conhecerem o mercado, a profissão que pensam e em escolher eles mesmos.” 

Para Cisotto, o projeto de vida é, na verdade, uma formação integral.

“A escola precisa estar conectada a necessidades atuais e mudanças”, afirma. “A nomenclatura surge no tempo, mas o que a escola oferece é isso: um currículo que ajuda a formar cidadãos para o mundo”, afirma.

O grupo Marista mantém em suas unidades o Circuito Projeto de Vida (CPV), com atividades voltadas à criação de espaços de comunicação e convivência entre os alunos. Entre as atividades oferecidas estão palestras, orientação vocacional e visitas institucionais a feiras universitárias. 

Para o diretor-geral do colégio, Carlos Dorlass, o programa desenvolve competências fundamentais.

“O aluno precisa aprender a ser protagonista de sua vida, como será exigido dele na vida adulta.”

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