Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Mais de 500 jovens tentam revalidar diplomas médicos obtidos no exterior

Brasileiros e estrangeiros graduados em 25 países integram projeto dos ministérios da Saúde e Educação

Agência Saúde

31 de maio de 2010 | 12h50

BRASÍLIA - O novo exame para revalidar diplomas de medicina obtidos no exterior, lançado pelos ministérios da Saúde e da Educação em 2009, teve 628 candidatos inscritos, dos quais 502 apresentaram os requisitos necessários para participar do projeto-piloto.

 

Esses jovens brasileiros e estrangeiros se formaram em 24 países diferentes, das Américas, Ásia e Europa. Desse total, 237 estudaram na Bolívia, 154 em Cuba e 24 no Peru. Por lei, o médico que não for graduado em uma universidade de medicina brasileira precisa ter seu diploma revalidado para atuar no País.

 

"O objetivo desse projeto-piloto é aprovar a habilitação desses médicos para atuarem no Brasil, por meio de um exame que irá avaliar qualitativamente a formação do candidato", afirma o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Francisco Campos.

 

Ao todo, participam 24 universidades públicas em todo o País. A Universidade Federal do Ceará (UFC) foi a que recebeu o maior número de inscritos: 99; seguida da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com 52, e da Universidade Federal do Acre (UFAC), com 48.

 

As universidades da Região Nordeste receberam 164 inscrições e as do Centro-Oeste, 116. No Norte, somaram-se 91 inscritos; na Região Sul, 80; e no Sudeste, 58. A soma total dá 509 candidatos, pois alguns acabaram se inscrevendo em mais de uma universidade. No País, existem cerca de 181 cursos de medicina, entre universidades públicas e privadas.

 

A portaria nº 150 com a lista dos nomes dos candidatos foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), no dia 26 de maio. A única exigência diferente feita aos estrangeiros é a fluência em língua portuguesa.

 

O projeto é para todos aqueles que estudaram medicina no exterior e querem submeter-se à revalidação do diploma no Brasil. A melhora dos processos tem o objetivo de garantir uma avaliação mais justa e efetiva dos candidatos.

 

Até o momento, quem queria revalidar o diploma obtido no exterior procurava uma universidade pública e enfrentava distintos procedimentos de análise de documentos ou avaliação - tramitação que pode se estender por até seis anos. Com o novo formato, o interessado pode se inscrever no processo de avaliação, apresentando a documentação necessária. Até o final deste primeiro semestre, serão realizados os exames, e o candidato que for aprovado nas duas etapas obterá a revalidação de seu diploma pela universidade em que se inscreveu.

 

Projeto-piloto

 

A coordenação do exame ficará sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação, que também divulgará o calendário e os locais das etapas de avaliação. A primeira prova será escrita e a segunda, de habilidades clínicas. Os candidatos podem consultar os assuntos que serão cobrados no exame na Matriz de Correspondência Curricular.

 

Os candidatos com inscrição homologada seguiram as condições estabelecidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais: ter concluído o curso de medicina em universidades cujas graduações fossem reconhecidas pelo órgão competente em seus respectivos países. Além disso, os cursos concluídos no exterior precisavam ter carga horária mínima de 7,2 mil horas, período mínimo de duração de seis anos e estágio prático/internato correspondendo a 35% da carga horária total.

 

A participação no projeto é facultativa, tanto para as universidades quanto para os candidatos à revalidação dos diplomas. Esse projeto-piloto não anula o mecanismo atual de revalidação de diplomas, que é feito por diversas universidades públicas do País.

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