Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Mais de 170 mil crianças estão fora da escola na cidade de São Paulo

No País, número chega a 3,8 milhões; dados foram coletados pelo Unicef e pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação

O Estado de S. Paulo

28 Maio 2014 | 19h52

SÃO PAULO - Na capital paulista, 173.815 crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola. A maior parte é do sexo masculino (50,7%), branco (51,4%), pobre - com família que recebe até meio salário mínimo (42%). Os mais excluídos também têm pai ou responsável sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (49,7%) e vivem na zona urbana da cidade (98,3%).

Esse número corresponde a 7,6% do total de crianças e adolescentes paulistanos dessa mesma faixa etária. Isso é o que revela um levantamento feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação com os microdados do Censo Demográfico de 2010.

Os dados mostram que, em todo o País, mais de 3,8 milhões de crianças estão fora da escola. No retrato nacional, os mais excluídos são as crianças e adolescentes negros, que vivem na zona rural, são pobres ou oriundos de famílias em que os pais ou responsáveis têm pouca ou nenhuma escolaridade.

Outras 14,6 milhões de crianças/adolescentes de 6 a 17 anos estão em atraso escolar em todo o Brasil. Do total de adolescentes e jovens de 18 a 24 anos que não estavam estudando em 2010, 21,2% tinham abandonado a escola após o ensino médio e 52,9% deixaram os estudos sem sequer completar o ensino fundamental.

Internos. Embora a lei que criou o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), de 2012, tenha exigido a inserção completa na rede escolar pública de todos os adolescentes em conflito com a lei até o fim de 2013, a ausência de atendimento escolar em unidades provisórias de internação é grande. A taxa de abandono de estudo nas unidades em que há escolas chega a 26,2% nos anos iniciais do ensino fundamental - em todo o País, essa taxa é de 1,6%.

Já nos anos finais do ensino fundamental, 9,2% dos internos desistem de estudar e 6,5% deles abandonam os estudos no ensino médio. Nessas etapas de ensino, a média nacional, chega a 4,2% e 9,5%, respectivamente.

A taxa de distorção idade-série é também maior entre adolescentes internos em comparação com o País. Nos anos finais do ensino fundamental é de 55,6% ante 16,6%; nos anos finais do fundamental é de 79,4% contra 28,2%; e no ensino médio é de 61,4% entre internos e 31,1% na média nacional.

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