Mais de 1,5 milhão faltam ao Enem

Abstenção foi de 37,7% no País, em São Paulo, o índice chegou a 46,9%

Lisandra Paraguassú e Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2009 | 10h27

Mais de 1,5 milhão de alunos faltaram ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Isso representa um índice nacional de 37,7% de abstenção – 4,1 milhões estavam inscritos. Este foi o maior índice de faltas em uma prova do Enem e também o primeiro ano em que ele passou a ser usado como vestibular em universidades federais.O média nacional foi puxada para cima principalmente por São Paulo, que teve o maior número de faltas. Do 1 milhão de inscritos no Estado, 470 mil (46,9%) não compareceram. As duas principais universidades públicas paulistas, USP e Unicamp, deixaram de usar a nota do Enem depois que o exame foi fraudado, em outubro. O caderno de questões foi furtado da gráfica em que era impresso, em São Paulo. O Estado avisou que o exame tinha vazado ao Ministério da Educação (MEC), que cancelou a prova. Ontem, foram realizadas as provas de matemática, linguagens e redação. O MEC contabiliza como faltas somente a abstenção do primeiro dia de exame, anteontem, quando foram feitas as questões de ciências da natureza e ciências humanas. No segundo dia, houve um novo índice de 2,9% de ausências entre os que tinham comparecido no sábado.Participaram do Enem quase 2,6 milhões de estudantes em todo o País. O número é superior à quantidade de estudantes que se inscreveu no ano passado para vestibulares de federais (2,2 milhões). Terminam o ensino médio todo ano cerca de 1,8 milhão."Quando você tem uma distância muito grande entre a realização da prova e inscrição, a abstenção aumenta", disse o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep/MEC), Reynaldo Fernandes. As inscrições terminaram em 19 de julho.O Enem existe desde 1998 e costuma ter entre 25% e 30% de faltas, segundo o Inep. O MEC não divulgou a quantidade de atrasos no primeiro dia do exame. O Estado observou em vários locais que centenas de pessoas não conseguiram fazer a prova porque chegaram depois do horário.Fernandes acredita que o fato de USP, Unicamp e outras instituições particulares deixarem de usar a nota do Enem tenha contribuído para o índice. Cerca de 120 mil pessoas fizeram o vestibular da Fuvest e 50 mil o da Unicamp. O Inep vai analisar o perfil dos que faltaram. Caso sejam alunos do último ano do ensino médio, o ranking das escola poderá ser prejudicado. É preciso ter um número mínimo de estudantes para que a instituição tenha uma nota do Enem.SABÁTICOSNa Escola Estadual Rodrigues Alves, na Avenida Paulista, onde os candidatos que pertencem à Igreja Adventista do Sétimo Dia fizeram o Enem, a prova só começou às 19h45 do sábado. Isso porque, apesar do horário do exame ser às 19 horas, o pôr-do-sol, com o horário de verão, só ocorre perto das 20 horas. Mesmo assim, o Inep não deu tempo a mais para os sabáticos. "Ficamos todos em silêncio, sem tocar na prova", diz Christian Ramos, de 17 anos. A escola abrigou os cerca de 600 candidatos que pediram para fazer a prova mais tarde, por causa da religião. Eles tiveram, no entanto, que entrar nas escolas no mesmo horário que os outros estudantes, às 13 horas. A tarde de sábado foi de canto, leitura, oração e muita conversa. "Esse Enem foi uma provação de fé para a gente", disse Amanda Lourenço, de 17 anos.Ontem, o exame foi no mesmo horário dos outros candidatos para os sabáticos. Mas o cansaço dos adventistas era maior, já que muitos terminaram a prova do sábado depois das 23h30.No câmpus da Uniban da Vila Carrão, na zona leste, ninguém chegou atrasado, mas dois alunos não fizeram a prova por estarem sem documento de identificação. Idemilson Lima Freire, de 20 anos, chamou a polícia. Ele tinha levado apenas uma cópia reduzida de sua identificação. "O mesmo cara que aceitou meu documento no sábado me impediu de fazer o exame", disse. (Colaboraram Mariana Mandelli e Paulo Saldaña)

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