Mais da metade dos alunos deixa curso Ciências da Natureza da USP Leste

Evasão em 2011 chegou a 55%; universidade vai mudar currículo para 'conquistar estudantes'

Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo,

12 Maio 2012 | 19h05

A situação mais grave entre as dez graduações da USP Leste é a do curso de Licenciatura de Ciências da Natureza (LCN). Registra a maior média de perda de alunos desde 2005 - de 33% - e no ano passado teve uma evasão de 55%. “Eu sou o único da minha turma de ingressantes que vai se formar neste ano. O restante saiu ou está com curso trancado”, diz o estudante Rafael Dias da Silva, de 35 anos.

 

Os problemas com o LCN se acumulam desde o vestibular e também nas matrículas. A graduação, que tem a menor concorrência da USP, nunca conseguiu preencher todas suas vagas. Neste ano, com o novo sistema de rechamada, em que candidatos de outras carreiras são chamados, foi alcançado melhor resultado. Teve 58 matriculados no noturno e 48 no matutino - são 60 vagas em cada período.

 

Para o coordenador do curso, Thomás Haddad, esse problema chega a ser mais preocupante que a evasão. “O curso sofre mais com o baixo índice de matriculas após o vestibular do que com evasão. E temos trabalhado para melhorar a divulgação do curso no ensino médio”, diz ele, no cargo desde o início de 2011. “Todas as licenciaturas sofrem, são menos atraentes. A profissão docente costuma pagar menos, existem problemas de condições de trabalho.”

 

Mudanças

 

Como forma de reverter essa realidade, o curso foi remodelado e uma nova configuração deve estrear a partir do ano que vem. A graduação vai ganhar sete novas disciplinas, nas áreas de biologia, química e física. As disciplinas de astronomia e física terão mais aulas.

 

Apesar desse aumento, a carga horária será mantida. Haverá a redução na carga de matérias optativas a serem cursadas.

 

Outra mudança significativa atinge o modelo que marcou a Each, que é o ciclo básico - um conjunto de disciplinas obrigatórias aos ingressantes de todos os cursos. Para a LCN, as disciplinas desse ciclo poderá ser cursada ao longo de três anos, não somente no ano de ingresso.

 

A alteração é uma aposta para adiantar o contato dos ingressantes com o conteúdo. “O desafio é mostrar para os alunos que vale a pena seguir o curso e isso é uma coisa que se realiza na sala de aula. Temos de conquistar esses alunos ao longo do primeiro ano”, completa Haddad.

 

Missão

 

THOMÁS HADDAD

COORDENADOR DO CURSO DE LCN

 

“O curso é de formação de professores de ciência, que é fundamental para o País. Acho que as mudanças vão ser sentidas, terá efeitos positivos e fazer com que os alunos permaneçam no curso, sintam-se mais atraídos.”

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