Mais carisma que qualquer outra aptidão garante ao professor de cursinho alunos até o fim da aula

James não consegue chegar à sala para começar a aula. Nos corredores e escadas, é cercado por alunos de todos os lados. Lú entra no auditório com 250 estudantes e ouve a declaração: "A gente te ama", grita uma turma do fundo. Celsinho termina sua aula e quase é carregado pelos jovens. Ninguém o deixa sair da classe. Eles são professores de cursinho - populares e queridos, sabem fazer cara feia quando é necessário, mas nunca perdem o que lhes garante a quase unanimidade entre os alunos: o bom-humor. Hoje, Dia dos Professores, muitos estão nas classes contando suas piadas e tirando as dúvidas dos vestibulandos. "Estamos na fase final e não podemos perder tempo", afirma James Tamajiam, de 37 anos, professor de geografia do Anglo. "Afinal a maior recompensa para mim, e para eles, é ver todo mundo na faculdade." James é um dos professores preferidos pelos alunos. Na última pesquisa feita pelo cursinho, 95% dos estudantes o citaram como um dos melhores docentes. "Ele dá uma aula tão divertida que a gente aprende e nem sente o tempo passar", diz a vestibulanda Natália Kimie, de 17 anos, que tenta uma vaga em nutrição. "Além disso, ele é super atualizado e tem muito pique." Mas o professor, que há 14 anos trabalha em cursinho, confessa que essa energia vem dos próprios alunos. "Na nossa aula, todos trabalhamos juntos e, assim, posso ter sempre 18 anos. Adoro a juventude deles e acabamos fazendo uma troca", diz. "Nossa afinidade é grande e acho que tudo dá certo porque mantemos um contato informal, com muito bate-papo, mas também com respeito." Candidata a uma vaga em medicina, Mayra Brito, de 20 anos, garante que esse contato faz com que os estudantes acabem gostando mais dos professores de cursinho do que de colégio. "Além de não ter a cobrança de lições e notas, eles são mais amigos, vão para a balada com a gente", conta. "E para quem vem do interior, como eu, ainda dão uma força grande." O vestibulando Hugo Brandão, de 18 anos, candidato a engenharia da computação, concorda. "Eles são descontraídos, engraçados e informais", diz. "Adoro a aula do Celso, por exemplo, porque ele tem garra para ensinar, paciência e sabe prender nossa atenção." Celso Lopes de Souza, de 33 anos, é professor de química do Anglo e outro queridinho dos alunos. Para ele, quem dá aula em cursinho precisa ser objetivo, dar exemplos mais práticos e explicar o por quê daquilo que ensinam. Assim, diz, é possível prender a atenção dos jovens e, quem sabe, ser um dos docentes preferidos. "Minha aula não tem muitas brincadeiras. No começo do ano até me acharam um pouco chato, mas sempre procuro dar aulas animadas." Médico desportivo, ele divide o tempo entre o cursinho e o consultório. "Como tenho essa formação médica, uso exemplos do corpo humano para ensinar química e isso dá certo porque os alunos conseguem ver na prática o que aprendem, conseguem entender a matéria", conta. "E o mais gratificante de ser professor é justamente ver o brilho no olhar do estudante e perceber a a vibração com a descoberta de alguma resposta para uma dúvida antiga." No Objetivo, uma das professoras mais queridas é Maria de Lourdes Cunha, de 36 anos, conhecida como Lú. Ensinando literatura, ela enfrenta classes de mais de 250 alunos e consegue manter a atenção dos jovens. "O segredo é falar uma linguagem que eles entendam, falar de maneira simples, sem usar gírias nem palavras rebuscadas", diz. "Além disso, dar uma aula alegre e mostrar que você está disposta a ensinar faz com que eles fiquem dispostos a aprender. A aula tem de ser um momento de prazer." Seus alunos concordam. "A Lú consegue fazer com que a gente entenda e goste da matéria, e não fique decorando", diz Tatiana Lopes, de 17 anos, vestibulanda de engenharia ambiental. "Ela dá exemplos engraçados, faz comparações com o dia-a-dia e sua aula passa tão rápido que a gente nem vê. Quando acaba, ninguém quer ir embora."

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