Mais alunos podem ter Enem cancelado, diz presidente do Inep

Mais de 300 matriculados nos cursinhos do Colégio Christus também podem ser incluídos

Carmem Pompeu, Especial para o Estado

31 Outubro 2011 | 18h50

FORTALEZA - A presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman, disse nesta segunda-feira que o número de alunos do Colégio Christus obrigados a refazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio poderá ser maior que os 639 matriculados no ensino pré-universitário. Também poderá atingir os cerca de 320 matriculados nos cursinhos da própria escola.

"Serão todos os que tiveram acesso pela escola a esse documento", disse a pedagoga, durante entrevista coletiva concedida à tarde no auditório do Banco Central de Fortaleza. De acordo com ela, a quantidade será determinada por meio das investigações que estão em curso na Polícia Federal.

De acordo com informações do próprio Inep, o custo de aplicação do Enem é de R$ 45 por candidato. Caso as investigações indiquem que a responsabilidade pela antecipação das questões seja do Colégio Christus, ele arcará com as despesas para a reaplicação.

"Em relação a quantos estudantes desta escola fizeram e participaram, enfim, fizeram as apostilas, preencheram os exercícios, isso a Polícia Federal irá fazer a investigação e tirar as conclusões. Nesse sentido, o Inep está aguardando", informou Malvina.

Como antecipou o Estadão.edu, não foram apenas alunos do Christus que tiveram acesso aos cadernos com questões iguais. Na sexta-feira, 28, a Defensoria Pública da União (DPU) informou que enviaria recomendação ao Inep para anular as 14 questões idênticas às do simulado do Colégio Christus, de Fortaleza.

Nota do MEC

Em nota divulgada nesta segunda, o MEC informa que "[o]s incidentes relacionados à aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011 estão circunscritos aos alunos do Colégio Christus, em Fortaleza. Não há qualquer indício seguro de que tenha havido também envolvimento dos alunos do cursinho pré-vestibular da mesma instituição, ou de alunos de outras instituições de ensino da capital cearense. Mas se a Polícia Federal chegar a uma conclusão distinta, o Inep poderá ampliar o número de provas canceladas e, da mesma forma, oferecer a esses estudantes a oportunidade de refazer a prova nos dias 28 e 29 de novembro".

A presidente do Inep disse que a Polícia Federal está agilizando os seus procedimentos "Nós estamos confiantes na resolução, na informação o mais rápido possível que a Polícia Federal irá oferecer ao Ministério da Educação", comentou.

Pela manhã, ela participou de uma reunião com o juiz da 1ª Vara Federal Luís Praxedes Vieira, que está analisando a ação proposta pelo procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, pedindo anulação do Enem ou das 14 questões supostamente vazadas. Segundo a assessoria de comunicação da Justiça Federal, o juiz só vai se pronunciar amanhã (terça-feira).

De acordo com a Justiça Federal, a diretora de Ensino Básico do Inep, Maria Tereza Barbosa, afirmou, durante a reunião, que houve uma "falha contingencial".

Na coletiva, Malvina Tuttman firmou estar confiante de que que as 14 questões não serão anuladas. "Este não é o encaminhamento pedagógico, técnico-científico que o Inep apresenta na peça que hoje entregou à Justiça. E nós estamos confiantes de que os nossos argumentos, sempre pedagógicos, sempre técnicos, prevaleçam".

Na avaliação dela, não houve vazamento. "A questão é de ética. Eu falo como educadora, como professora há 42 anos neste País. É preciso que possamos discutir como estamos trabalhando valores éticos nas nossas escolas", afirmou. "A questão é: que valores as nossas escolas estão desenvolvendo com os nossos alunos?", indagou..

"Não houve vazamento. Alguém pegou dois cadernos de prova, guardou durante um ano e utilizou esse material numa apostila da escola. Portanto, não houve vazamento", insistiu Malvina Tuttman.

Segundo ela, o problema não se localiza no Enem. "Não houve nenhum arranhão na elaboração das provas, porque não tivemos nenhuma questão anulada e também todos os locais, quase 15 mil, nós fizemos as provas sem nenhum problema".

Ainda de acordo com ela, o Inep está pronto para aplicar já no próximo ano as duas edições do Enem que já foram amplamente divulgadas. "Claro que num processo sempre é preciso aprofundá-lo e aperfeiçoá-lo. Nós temos o exemplo que saiu nos veículos de comunicação ontem em São Paulo. E esta reportagem evidencia que no próprio SAT - e o Enem é um similar do SAT, na medida em que o SAT tem praticamente 100 anos, ainda ocorrem situações que precisam ser constantemente revistas", afirmou.

Três estudantes de outras escolas do Ceará também estiveram reunidos com o juiz federal Luís Praxedes de manhã e pediram a anulação do Enem. Os estudantes alegam que os alunos do Christus serão beneficiados mesmo que tenham de repetir o exame, já que terão mais tempo para se preparar para as provas.

Malvina Tuttman rebateu argumentando que o método adotado pelo Enem, da Teoria da Resposta ao Item, não permite que isso aconteça, pois serão aplicadas novas provas, mas que o grau de dificuldade será o mesmo. Ela também reforçou que o MEC não está punindo os alunos do Christus e sim dando uma oportunidade para que eles refaçam o Exame.

* Atualizada às 19h16 para acréscimo de informações sobre a nota do MEC e para colocar links para notícias anteriores

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