Marcio Fernandes
Marcio Fernandes

Maioria das escolas federais de SP tem ‘merenda seca’

Dos 33 câmpus, com ensino médio combinado a técnico e superior, só 11 têm bandejões; mais 6 restaurantes estão em construção

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A maioria das escolas técnicas do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) ainda oferece aos alunos somente “merenda seca”. Dos 33 câmpus em todo o Estado, que têm ensino médio combinado ao técnico e ao superior, só 11 têm bandejões para refeições, que são pagas – mais 6 estão em construção. Nos outros, os alunos recebem embalagens individuais de bolinhos, biscoito salgado, cookie, achocolatado e suco. Apesar de não dar prazos, o instituto promete a construção de refeitórios em todas as unidades federais.

São 31.150 alunos no IFSP, 14.282 secundaristas. A oferta de comida aos estudantes da educação básica tem por base uma lei federal de 2009, que diz que todos devem receber alimentação “saudável e adequada, compreendendo o uso de alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura, as tradições e os hábitos alimentares saudáveis”.

A falta de refeição nas escolas técnicas estaduais (Etecs) é o principal argumento dos estudantes que invadiram ao menos 16 colégios estaduais. Nesta semana, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o ato é “político”.

Já nas instituições federais de ensino a pauta dos estudantes é outra: reivindicam melhorias na infraestrutura e aumento das vagas para o ensino médio e técnico. O câmpus São Paulo do IFSP, no Canindé, zona norte, é uma das unidades com refeitório.

Os alunos podem almoçar e jantar no local, a um custo de R$ 3,50 por refeição. O valor original do prato (R$ 8,50) é subsidiado pelo governo e o restaurante é administrado por uma empresa terceirizada.

Auxílio. Quem não pode pagar o valor das refeições tem a opção de pedir auxílio alimentação, que chega a R$ 10 por dia, dependendo da renda familiar do aluno. Dos 6 mil estudantes no câmpus (2 mil no ensino médio técnico), só 1.200 têm acesso ao benefício. Todos os alunos recebem os kits com os lanches.

“Nossa prioridade é reformar a escola, que tem muitas goteiras e falta espaço”, contou o estudante Nicolas Caous, de 17 anos, que está no 2.º ano do ensino médio. Outra reivindicação é a abertura de mais vagas no ensino médio. “Aqui a maioria das vagas é de ensino superior. O câmpus precisa ser expandido.”

De acordo com o diretor da unidade, Luís Cláudio de Matos, a reclamação mais comum é de falta de espaço. “Poderíamos atender muito mais gente”, admitiu. 

Ali, a comida não entra nas reivindicações estudantis. “Estamos discutindo fazer greve por causa da falta de verba”, afirmou Nicolas. Mas há solidariedade com outros grupos. Integrante do grêmio estudantil Charlie Chaplin, ele admite que os estudantes do colégio ajudaram na ocupação do prédio administrativo do Centro Paula Souza, que administra as Etecs e só foi liberado após reintegração de posse cumprida pela Polícia Militar. 

Sem suco. Na unidade de Guarulhos não há restaurante, e os estudantes contam apenas com a merenda seca. O estudante Bruno Fernandes, de 17 anos, aluno de Automação, reclama que desde o ano passado houve piora no “kit lanche” recebido. “Ano passado, davam suco e achocolatado, mas eles tiraram”, reclamou. “Agora, tenho de comer em casa antes de vir para a aula”, disse o estudante do período da tarde.

“Eles dão um pão e biscoito, mas nenhuma refeição. Tenho de almoçar em casa”, emendou o aluno de Informática Guilherme Santana, de 15 anos, que cursa o 2.º ano do ensino médio.

“O lanche é bom, mas já foi melhor. Estão tirando coisas”, disse Gabriela Izidoro, de 18 anos, do técnico em Automação. “Acho os protestos (por merenda nas escolas técnicas) válidos. Quem não tem, precisa reivindicar. E quem tem, precisa melhorar.” 

Ao Estado, o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) informou, em nota, que são distribuídos 17 mil lanches por dia aos estudantes de ensino técnico. A opção foi feita por não exigir preparo e manipulação.

Disse ainda que cada um dos câmpus discute a implementação de alimentação estudantil, mas não informou o prazo para isso ser feito. “Mais de dez câmpus já oferecem refeição/almoço aos estudantes em período integral.” 

“Outros seguem nessa direção, estabelecendo acordos com as prefeituras, projetos de contratação de empresas para fornecimento de alimentação, parceria com as cantinas locais, dentre outras soluções, até que se concluam as obras, muitas delas já iniciadas, de construção de restaurantes estudantis em todos os câmpus, assim como se finalize o concurso para contratação de nutricionistas, que encaminharão as ações de alimentação estudantil no IFSP”, continua a nota oficial.

Seis câmpus estão com restaurantes em fase de construção: Barretos Rural, Birigui, Catanduva, Hortolândia, Registro e Suzano. Cada conjunto terá 1.074,49 m², além de pavimentação e urbanização do entorno. “O investimento total está previsto em R$ 20 milhões e os restaurantes devem ser entregues até o fim deste ano”, afirmou o instituto.

Em relação à falta de bebidas, o IFSP diz que “tem havido desfalque por parte da empresa contratada que, uma vez notificada, requereu reequilíbrio econômico-financeiro do contrato”. “O caso está sendo analisado pela Procuradoria Regional Federal (PRF), o que é de conhecimento da comunidade estudantil.”

Alunos invadem diretoria de ensino na zona norte

Estudantes de escolas estaduais e técnicas invadiram nesta quinta-feira, 12, a terceira diretoria de ensino regional. Além das diretorias Centro-Oeste e de Guarulhos, já ocupadas, foi tomado o prédio da Norte 1, na Água Branca. 

O local foi ocupado durante a madrugada e, segundo nota divulgada pelos manifestantes, eles exigem a saída da dirigente de ensino por “abuso de poder”. Eles também disseram protestar contra a falta de reajuste salarial dos professores e contra o fechamento de salas de aula nas escolas estaduais.

Nesta quinta, além das diretorias de ensino, 13 escolas técnicas (Etecs) e três escolas estaduais permaneciam ocupadas. A onda de invasões de prédios públicos teve início há 15 dias, quando a sede do Centro Paula Souza foi tomado. Para esta sexta-feira, 13, os alunos marcaram uma assembleia, em que devem definir os “rumos do movimento”.

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