Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Maior escola estadual de São Paulo é ocupada

Em todo o Estado, já são 60 colégios tomados; estudantes entraram de madrugada na unidade em Perus, na zona norte da capital

José Maria Tomazela e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2015 | 09h43

Atualizada às 21h24

SÃO PAULO - Pelo menos 50 estudantes ocuparam na madrugada desta quinta-feira, 19, a Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, em Perus, na zona norte de São Paulo. Trata-se da maior unidade da rede estadual paulista, com 3,2 mil alunos matriculados, segundo dados do Censo da Educação Básica de 2014.

Com isso, a Secretaria Estadual de Educação confirmou nesta quinta que 60 colégios já estavam tomados contra a reorganização da rede, que prevê o fechamento de 93 escolas e a implementação de ciclo único (ensino fundamental, anos iniciais, finais e ensino médio) em outras. A Polícia Militar foi até a escola pouco após a ocupação, à 1 hora desta quinta, e pediu que o grupo deixasse o local, mas nenhum policial chegou a entrar na escola. Os alunos recusaram e o protesto foi mantido.

A ocupação causou revolta entre algumas mães de estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental – o colégio atende a todas as séries. Estava previsto para a manhã um passeio das crianças do 1. °, do 2.° e do 3.° ano do ensino fundamental. Como o colégio estava fechado, houve dificuldade em organizar as crianças nas calçadas, o que atrasou os ônibus. Uma dirigente regional tentou conter os ânimos no local.

O protesto na Brigadeiro Galvão Peixoto segue a lógica de outras ocupações dos últimos dias: a de reivindicar melhorias para a unidade. A escola não está incluída na lista da reorganização da rede estadual, mas os estudantes temem que as mudanças afetem diretamente o cotidiano da sala de aula. 

Para Vanessa Alves, de 16 anos, não faz sentido falar em reorganização quando não há nem sequer “estrutura básica”. “Não temos professor suficiente, não temos cantineira e a nossa quadra está interditada há quatro anos por falta de manutenção. Como vamos receber os alunos de outras escolas fechadas nestas condições?”

Outra preocupação dos alunos é com a limpeza do colégio. “Tem goteira no teto da sala”, reclamou Júlia Ramos, de 16 anos. 

A ocupação teve apoio do principal sindicato de professores do Estado, a Apeoesp, e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). A Secretaria da Educação afirma que tem mantido o diálogo com os manifestantes, mas critica a postura de movimentos “político-partidários” que impedem que estudantes possam assistir às aulas.

Interior. Terminou com a invasão do prédio onde funciona a Diretoria Regional de Ensino (DRE) uma marcha de alunos de seis escolas de Sorocaba, na manhã desta quinta-feira. Segundo a PM, a manifestação chegou a reunir 500 estudantes. 

Uma bomba de pequeno impacto explodiu no pátio. Os portões internos foram fechados para que os manifestantes não se misturassem aos alunos que estavam em aulas. A PM negociou a saída dos invasores.

A marcha havia se iniciado na Avenida Itavuvu e o grupo caminhou mais de 6 quilômetros até o centro. No percurso, com faixas, cartazes e carro de som, a marcha fez várias paradas, uma delas na Escola Estadual Lauro Sanches, na Vila Carol, ocupada por alunos desde a noite de quarta-feira. A DRE informou que as dúvidas sobre a reorganização foram esclarecidas em reunião com pais e estudantes no sábado.

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