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‘Machismo não é um problema só da Esalq’, afirma estudante

Aluna de Engenharia Florestal ficou chocada quando viu que seu nome estava no 'ranking' sexual colocado em um pátio

Entrevista com

Maryane Andrade

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

22 Junho 2015 | 07h00

SÃO PAULO - A estudante de Engenharia Florestal Maryane Andrade, de 21 anos, ficou chocada quando viu que seu nome estava no “ranking” sexual colocado em um pátio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), no fim de maio. “Não é só na Esalq nem só na USP. O machismo é um problema de toda a sociedade.” Confira trechos da entrevista concedida ao Estado.

Qual foi sua reação quando viu o cartaz?

Estava indo ao centro de vivência e, quando vi meu nome, fiquei chocada. A que ponto chegamos? Pensei na hora em quantos estudantes passaram por ali e viram.

Sabe quem pode ter feito isso? 

Há vários boatos sobre os possíveis autores. Reclamei para a Élice (estudante e membro do Diretório Central de Estudantes da Esalq) e outras pessoas que discutem a opressão na Esalq. Até retomaram o coletivo feminista Raiz Fulô, que havia se desintegrado totalmente no ano passado.

Há machismo na Esalq?

Acho que a Esalq é um microcosmo da sociedade. Fico feliz que esse assunto seja debatido com seriedade. Acho absurdo que a discussão se resuma a apontar os alunos da USP como culpados, como se fosse um caso isolado. É um problema que perpassa o nosso cotidiano todos os dias. De um assobio que você escuta na rua até os assédios diários.

Há apoio da USP às vítimas de assédio?

Acredito que a universidade esteja do nosso lado e que mudou depois da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou casos de violação aos direitos humanos em universidades paulistas em 2014). No começo do ano, fizemos a semana de recepção de calouros e trouxemos a Heloísa Buarque, professora da USP que discute o assédio na universidade.

Qual o próximo passo para acabar com esse tipo de episódio? 

O que precisamos é de uma ação educativa. Acho que está cada vez mais aberto, tanto na reitoria quanto na diretoria. Tanto é que esse cartaz se tornou uma coisa intolerável. Mostrou que as pessoas não o aceitam.

 O que diria para o autor do cartaz?

Quem fez isso deve estar se sentindo como minoria ao trazer esse tipo de pensamento totalmente repugnante. Não é só uma questão de exposição da mulher. É o modo, as palavras, o jeito de colocar a sexualidade, ‘objetificada’. 

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