Lula vê educação entre ´piores do mundo´ e quer reforma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira, 15, em discurso no Palácio do Planalto, que o sistema educacional brasileiro está "entre os piores do mundo". Em reunião com educadores, o presidente, ao falar das medidas que pretende adotar na área do ensino, disse que quer acelerar "uma grande reforma" para o setor."A experiência acumulada mostra que o Estado brasileiro, ao longo das últimas décadas, não deu respostas (para os problemas da educação). Houve a universalização do ensino, mas não houve um acompanhamento da melhoria da qualidade da educação. Então, estamos entre os piores do mundo", declarou o presidente, falando a professores, reitores, pedagogos e ex-secretários de Educação.Lula disse que o que pretende anunciar para a área de ensino "não é um PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Quero apressar uma grande reforma - não sei se a palavra é grande reforma - para a educação brasileira."O encontro com educadores foi para debater o Plano de Desenvolvimento da Educação, que prevê investimentos de R$ 8 bilhões nos próximos quatro anos na melhoria da qualidade do ensino, especialmente o Fundamental. ViolênciaEm seu discurso, Lula mais uma vez vinculou a questão da violência e da criminalidade à precariedade do ensino e destacou a importância da educação de qualidade como elemento de combate ao crime. "Nós temos um estoque de 3 milhões de jovens, de 15 a 24 anos, que pararam de estudar e estão à mercê do crime organizado, de cometer barbaridades que vemos na televisão", disse Lula. O presidente afirmou, mais uma vez, que é contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Se a redução de fato acontecesse, a partir dos 16 anos os jovens que cometessem crimes poderiam ser presos, julgados e condenados. "Ao invés de ficarmos discutindo apenas as exceções que devem ser punidas, precisamos cuidar dos que representam a regra: jovens pobres que precisam estudar", disse.AjudaNo discurso, Lula disse que pediu ao ministro da Educação, Fernando Haddad, que convide ex-ministros da Educação - como Paulo Renato, Christovam Buarque e Murilo Hingel - para debater a "grande reforma" do setor educacional. No entender do presidente, as crianças, nas escolas brasileiras, precisam ser avaliadas "mensalmente, semanalmente e diariamente". "Talvez, das pessoas, aqui, eu seja a menos qualificada para discutir educação. Estou aqui apenas apresentando uma demanda", comentou.Sem brincadeiraLula explicou sua opção pela escolha de técnicos para os ministérios da Educação e da Saúde. "Com Educação e Saúde a gente não brinca, não partidariza. A gente monta um governo com as pessoas que têm competência. Na Saúde, se você brincar, é morte. Na educação, se você brincar é o analfabeto. Essas coisas são sérias", disse a jornalistas, respondendo se decidira não partidarizar os cargos. Ele manteve Haddad na pasta da Educação e para a Saúde escolheu o médico José Gomes Temporão, ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca). com ReutersMatéria alterada às 13h25 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

15 de março de 2007 | 12h07

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