Lula não se declarou contra nem a favor das cotas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi comedido ao discursar sobre as cotas para negros e alunos do ensino público nesta sexta-feira. Ele não fez declaração pública em favor das cotas nas universidades, conforme desejavam movimentos negros. Lula optou por uma postura menos incisiva, por falta de consenso na sociedade. Por enquanto a posição do governo é de cautela. O presidente falava durante a instalação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.Mesmo sem mencionar diretamente as cotas, Lula deixou transparecer sua opinião favorável à medida, no discurso de instalação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. "A superação do racismo requer políticas públicas e ações afirmativas concretas." Em outro trecho, Lula defendeu que o "Estado brasileiro não deve ser neutro em relação às questões raciais". Segundo o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, o presidente não quer que o governo aplique a política de cotas de forma "unilateral", por pressão dos movimentos negros. Lula acredita que se possa conquistar também o apoio da maioria dos brancos, se a medida for bem explicada, divulgando por exemplo que as democracias mais avançadas já adotam o sistema. "Precisamos promover um debate amplo, avaliar os pontos positivos e verificar se há pontos negativos."O ex-senador Abdias Nascimento, de 89 anos, referência no País contra o racismo, conserva a esperança de que o governo "dê sustentação e amplie o programa de cotas". Ele provocou gargalhadas entre os participantes da cerimônia de posse de Matilde Ribeiro na nova secretaria ao comentar que "um passarinho" lhe havia contado que o ministro da Educação, Cristovam Buarque, apoiava as cotas. O movimento negro está engasgado com o ministro, por ele ter dito que as cotas não deveriam ser adotadas em todo o País.Cristovam já afirmou que a cota não atende o negro pobre, que nem sequer conclui o ensino fundamental. Para o ministro, seria melhor reforçar o ensino público para que alunos disputassem vagas no vestibular em igualdade de condições. Nesta sexta-feira, Cristovam amenizou o discurso. "A cota é um caminho, sempre defendi e continuo defendendo a idéia das cotas. Mas, para que uma idéia se transforme em política, precisamos debatê-la e contar com o apoio suficiente da sociedade." E isso ainda levará algum tempo, diz o ministro.

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