Lula deixa revolução educacional no papel, diz ´El País´

A verdadeira "revolução educacional" brasileira prometida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua na gaveta, apesar do lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, afirma matéria do jornal espanhol El País. "Lula, acusado durante seu primeiro mandato de não ter sabido colocar, como outros países, a educação entre as prioridades de seu governo, quis desta vez demonstrar que deseja fazer uma verdadeira revolução no sistema educativo", afirma a matéria."Comprometeu-se a realizá-la durante seu mandato, apesar de sublinhar que a educação é um tema importante e global que ´não pode ser obra de um só governo´", diz o correspondente do jornal.A matéria destaca a estratégia de elevar o salário dos professores, criar escolas técnicas em regiões mais industrializadas do País, e destinar cerca de R$ 1 bilhão neste ano para escolas nos municípios de pior índice de aprendizagem.No entanto, o jornal destaca: "O que mais uma vez ficou no papel é a tão esperada obrigatoriedade da escola secundária, sem a qual, segundo muitos especialistas, não pode existir uma autêntica revolução na educação deste País".Investida diplomáticaEm outra matéria, o mesmo El País afirma que o presidente Lula chega ao Chile nesta quarta-feira, 25, à noite com "uma mensagem clara" aos vizinhos.De acordo com o correspondente do diário em Buenos Aires, "a diplomacia brasileira inicia esta noite seu primeiro movimento de importância para contrabalançar a crescente influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na América do Sul, uma área considerada pelo Brasil como de interesse estratégico".A matéria afirma que, apesar de Lula sempre haver sublinhado os pontos comuns entre ele e Chávez, o fato é que "as desavenças com o colega venezuelano são cada vez maiores".Nesse contexto, a viagem de Lula a Santiago é simbólica, porque o Chile tem "baseado sua abertura econômica em tratados de livre-comércio, entre outros países, com os Estados Unidos e com a China".O repórter afirma que a segunda fase do giro de Lula, na Argentina, se dará em meio a críticas de pessoas do círculo do presidente Néstor Kirchner ao modelo de integração energética proposto pelo Brasil."Em todo caso, Kirchner não está definitivamente no campo de Chávez, porque será o modelo energético impulsionado pelo Brasil que no final terá peso maior na economia argentina", diz o El País.Apartheid argentino? Reportagem do jornal britânico The Guardian afirma que estão ganhando força, na Argentina, os condomínios exclusivos para classes privilegiadas."Ricos temerosos mantém pobres à distância com casas muradas e arame farpado", diz a matéria. Segundo o texto, a tendência se acentuou a partir da recuperação da economia argentina, em 2003, quando "o pequeno fluxo de pessoas se mudando para os condomínios exclusivos se tornou uma torrente"."O ambiente de confiança (econômica) não evitou que bancos, supermercados e restaurantes deixassem a cidade da mesma forma que as empresas sul-africanas trocaram, há dez anos, a cidade de Johanesburgo por Sandton, uma cidadela reluzente ao norte da cidade", relata o repórter.A matéria compara a nova distribuição espacial das casas na Argentina à "arquitetura do medo" da África do Sul pós-apartheid."O fato de que agora ela se dá na Argentina está levantando um angustiado debate sobre se a sociedade do país, outrora considerada a mais ?européia? e igualitária da América do Sul, também está se polarizando como a África do Sul e o Brasil."

Agencia Estado,

25 de abril de 2007 | 16h13

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