MARCIO FERNANDES/ESTADAO
MARCIO FERNANDES/ESTADAO

Lobista deve depor em sessão secreta da CPI da Merenda

Em delação premiada, Marcel Julio citou pagamentos a ex-assessores e à campanha do presidente da Alesp, Fernando Capez, que nega envolvimento com a máfia

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2016 | 20h15

SÃO PAULO - Apontado como principal operador do esquema que fraudava contratos da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) com prefeituras e com o governo paulista, o lobista Marcel Julio deve depor nesta terça-feia, 11, em sessão secreta na CPI da Merenda, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

O depoimento de Marcel Julio é um dos mais aguardados e já havia sido adiado, há cerca de um mês, quando uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) lhe garantiu o direito de ficar calado na CPI. Após pressão dos deputados e de uma nova convocação, ele aceitou falar em sessão reservada, com a presença apenas dos parlamentares da comissão e assessores.   

Em abril, o Estado revelou que o lobista disse em sua delação premiada à Procuradoria-Geral de Justiça que teve encontros com o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), e que o tucano exigiu dinheiro para sua campanha eleitoral. Segundo Marcel, parte dos R$ 490 mil em propinas que afirma ter entregue a dois aliados de Capez foi destinada à campanha do tucano em 2014. 

Em seu relato, o lobista disse que levava dinheiro em espécie para José Merivaldo dos Santos e Jeter Rodrigues, servidores da Assembleia e ex-funcionários do gabinete do presidente da Casa. Jeter assinou contrato de consultoria com a Coaf no valor de R$ 200 mil e Merivaldo recebeu um cheque sem fundo da cooperativa no valor de R$ 50 mil. Capez nega taxativamente ligação com a quadrilha e diz que seu nome foi usado. Merivaldo e Jeter também negam ter recebido propina da cooperativa, comandada por Cássio Chebabi. 

Após ser preso pela Operação Alba Branca em janeiro deste ano, Chebabi apontou em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE) e à Polícia Civil de Bebedouro, na região de Ribeirão Preto, Capez e o deputado federal e ex-secretário estadual de Transportes Duarte Nogueira (PSDB) como beneficiários da propina paga pela Coaf. Ambos negam as acusações, mas são alvos de investigação pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), porque têm foro privilegiado.

Segundo Chebabi, Capez e Nogueira receberam uma propina de 10% sobre contratos da Coaf com a Secretaria de Estado da Educação no governo Geraldo Alckmin (PSDB), que assinou três negócios com a cooperativa no valor de R$ 13,5 milhões para fornecimento de suco de laranja para a merenda escolar. 

O executivo, que ficou calado em seu depoimento na CPI da Merenda, em agosto, afirmou que o lobista Marcel Ferreira Júlio, filho do ex-deputado Leonel Júnior, e o vendedor da Coaf César Augusto Lopes Bertholino eram os operadores da máfia responsáveis pelos pagamentos de propina.

Marcel Julio teve a prisão decretada em janeiro na Operação Alba Branca por envolvimento com a organização que fraudava licitações de merenda escolar, mas só se entregou em abril à Policia Civil em Bebedouro. Após o TJ-SP homologar sua delação, o lobista foi colocado em liberdade, ainda naquele mês.

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