MARCIO FERNANDES/ESTADAO
MARCIO FERNANDES/ESTADAO

Lobista da máfia da merenda obtém liminar para ficar calado em CPI

Apontado como operador do esquema, Marcelo Julio disse em delação premiada que parte da propina foi para campanha de Fernando Capez, que nega acusação

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2016 | 21h55

SÃO PAULO - O lobista Marcel Julio, apontado como operador da máfia da merenda em São Paulo, obteve uma liminar da Justiça que dá a ele o direito de ficar calado na CPI da Merenda na Assembleia Legislativa (Alesp). O depoimento dele está marcado para esta terça-feira, 13, junto com outros três depoentes.

O desembargador Sérgio Rui, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, acolheu parcialmente o pedido feito pelo advogado José Adriano de Olveira, que defende Marcel, e também garantiu ao lobista o direito de não assinar o termo de compromisso de dizer a verdade, exigido pela CPI, e de não se incriminar. A decisão seria enviada ao presidente da comissão, Marcos Zerbini (PSDB). 

A CPI investiga suspeitas de fraudes em contratos da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e ao menos 22 prefeituras paulistas para o fornecimento de suco de laranja da merenda escolar. Personagem central da Operação Alba Branca, que desmontou a quadrilha em janeiro deste ano, na cidade de Bebedouro, Marcel Julio era visto como homem-bomba da CPI e peça-chave para a investigação sobre o núcleo político do esquema.

Em abril, o Estado revelou que o lobista disse em sua delação premiada à Procuradoria-Geral de Justiça que teve encontros com o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), e que o tucano exigiu dinheiro para sua campanha eleitoral. Segundo Marcel, parte dos R$ 490 mil em propinas que afirma ter entregue a dois aliados de Capez foi destinada à campanha do tucano em 2014. 

Em seu relato, o lobista disse que levava dinheiro em espécie para Merivaldo dos Santos e Jeter Rodrigues, servidores da Assembleia e ex-funcionários do gabinete do presidente da Casa. Todos negam as acusações. Rodrigues está entre os depoentes da sessão desta terça-feira. Merivaldo e Capez foram convocados para depor na quarta-feira, 14.

Marcel Julio teve a prisão decretada em janeiro na Operação Alba Branca por envolvimento com a organização que fraudava licitações de merenda escolar, mas só se entregou em abril à Policia Civil em Bebedouro. Após o Tribunal de Justiça de São Paulo homologar sua delação, o lobista foi colocado em liberdade, ainda naquele mês.

 

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