Lobby nos EUA quer fazer da matemática prioridade nacional

Os interesses conjuntos de grupos econômicos, científicos e até de um bilionário de Wall Street estão trazendo de volta imagens da Guerra Fria para convencer as autoridades dos EUA a gastar milhões para formar professores de matemática de alta qualidade. O argumento foi de que, assim como um foco em matemática fez os EUA passarem o Sputnik da União Soviética para trás, levando um homem à Lua, o país precisa melhorar a educação matemática para ganhar a corrida econômica contra Índia e China, e uma batalha contra o terrorismo pela segurança nacional.Os grupos temem ser incapazes de conseguir a atenção dos políticos sem algo como o Sputnik, que foi o fato crucial para que os EUA acelerassem seus esforços em matemática e ciência. "A diferença interessante entre os dois casos é que naquela época, a ameaça era militar, enquanto que agora, ela é econômica", disse Susan Traiman, lobista na Business Roundtable. Apesar de ser pouco provável que alguém no Congresso diga que a matemática não é importante, deverá ser difícil convencer os legisladores a dedicar mais dinheiro para a contratação e treinamento de professores, numa época de recursos escassos. Alguns podem achar que não há necessidade política ou prática de uma iniciativa educacional grande apenas quatro anos depois da revisão da lei educacional "Nenhuma Criança Deixada Para Trás", pelo presidente George W. Bush.Algumas propostas sugerem a utilização de dinheiro de impostos para aumentar os salários dos professores de matemática, mas a Associação Nacional de Educação se opõe à idéia. Ela quer salários mais altos para todos os professores. Os soviéticos lançaram a Sputnik em 1957, um feito épico para quem era vivo naquela época, porém pouco conhecido hoje em dia. O envio de Neil Armstrong à Lua em 1969 já é uma história antiga para os estudantes que agora debatem se querem uma carreira matemática.Os lobistas conhecem os desafios, e dizem ver razões para o otimismo.Um grupo bipartidário de senadores propôs recentemente que se ofereça incentivos para estudantes que estão se especializando em matemática para que se tornem professores. Espera-se que o presidente Bush cite a competitividade americana em discurso nesta terça-feira. Algumas empresas já estão fazendo campanha por conta própria. Raytheon, General Electric e IBM estão entre aquelas que possuem programas para melhorar a educação de matemática.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2006 | 17h33

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