Ernesto Rodrigues/ ESTADÃO
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Livros didáticos devem revisar referências à ditadura militar, diz Vélez a jornal

Em entrevista, ministro da Educação disse discordar que houve golpe em 1964 e ditadura

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 21h27

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, disse que haverá mudanças em livros didáticos para revisar a maneira como são retratados nas escolas o golpe de Estado que retirou o presidente João Goulart do poder, em 1964, e o regime militar que o seguiu. A declaração ocorreu em uma entrevista do ministro ao Valor Econômico, publicada na tarde desta quarta-feira, 3. 

Segundo o jornal, Vélez diz acreditar que a mudança de regime, há 55 anos, não foi um golpe, e sim uma "mudança de tipo institucional". Além disso, teria dito que o período que seguiu a posse do general Castello Branco não seria ditadura, e sim um "regime democrático de força". A tese é refutada por historiadores que estudaram o período.

Vélez disse, segundo o Valor, que as mudanças em livros didáticos seriam "progressivas", e devem ocorrer "na medida em que seja resgatada uma versão mais ampla da história". Ele ainda teria dito que o papel do Ministério da Educação (MEC) é "regular a distribuição do livro didático e preparar o livro didático de tal forma que as crianças possam ter a ideia verídica, real, do que foi a sua história".

Contatado para comentar as declarações do ministro, o MEC não respondeu à reportagem do Estado.

A notícia repercutiu mal entre representantes de editoras e autores de livros didáticos. O presidente da Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos (Abrale), Cândido Grangeiro, ressaltou que todo e qualquer livro didático deve, por regra, ser baseado em ampla consulta acadêmica, e não por opiniões. 

"O que sempre deve nos guiar é o rigor acadêmico na produção dos materiais didáticos, para que os alunos tenham acesso a conteúdo pautado em pesquisa", disse Grangeiro. "A Abrale é contra qualquer tipo de revisionismo que seja baseado em opiniões."

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