Livro conta origem de nomes de 645 cidades

Pindamonhangaba. Maior que o tamanho da palavra é o mistério do que ela quer dizer. Em tupi, significa lugar onde se fazem anzóis. A explicação é de um ilustre filho da cidade, o governador Geraldo Alckmin, na apresentação do livro A Origem dos Nomes dos Municípios Paulistas, lançado nesta quarta-feira.O livro, de 312 páginas, editado pela Imprensa Oficial do Estado e pela Fundação Prefeito Faria Lima, é resultado de mais de quatro anos de pesquisas do jornalista Enio Squeff e de Helder Perri Ferreira. Nesse período, eles reuniram o significado dos nomes dos 645 municípios paulistas.O resultado é um inventário de histórias curiosas sobre o batismo destas cidades, que muitas vezes não são conhecidas nem pelos próprios habitantes."Trés bijou"É o caso de Trabiju. Pela tradução do tupi, seria "barata amarela". Mas a história conta que, no passado, a mulher de um engenheiro da Estrada de Ferro Araraquarense, que era francesa, teria dito ao chegar na região: "trés bijou", ou muito bonita.Em Limeira, a história é estranha. No século 19, um frade franciscano chamado João das Mercês se mudou para lá. Ele sempre levava algumas limas, cujo poder terapêutico seria quase milagroso. Um dia, porém, ele resolveu comer uma delas. Em seguida, começou a sentir dores, dizendo que as frutas estavam envenenadas e morreu. No local onde ele morreu, brotou, mais tarde, uma limeira.Em Registro, era registrado todo o ouro do Vale do Ribeira enviado para a Coroa Portuguesa na época colonial. Há também aquelas cidades cujo nome é simplesmente peculiar, como Caiabu, Caiuá, Pedrinhas Paulista e Echaporã.Tupi-guaraniSegundo Squeff, pelo menos um terço das cidades paulistas receberam nome em tupi-guarani, grande parte no litoral. É o caso de Ubatuba, Caraguatatuba, Itanhaém. No interior, Itajobi, Itapeva e Embaúba. Para auxiliar no trabalho, ele contou com a consultoria em tupi-guarani de Ferreira e dois índios da aldeia de Parelheiros.Há também aqueles nomes que nasceram de acidentes geográficos na região, santo do dia na data de fundação - é o caso de São Paulo - e homenagens a personalidades, como Monteiro Lobato e Julio Mesquita.Grafia e ironiaUm dos problemas enfrentados foi a grafia correta dos nomes. Em Brodowski, na região de Ribeirão Preto, a dúvida era se o nome correto seria o do engenheiro Alexandre Brodowski, ou o aportuguesado Brodósqui. Nos próprios documentos oficiais são utilizadas as três formas até hoje. A decisão partiu de um ofício da Câmara da cidade.Alguns nomes hoje soam como ironia. É o caso de Tietê. "A tradução do tupi quer dizer águas verdadeiras. E o rio hoje não tem nada de verdadeiro", diz o autor, que também é artista plástico e preparou cerca de cem ilustrações para a obra.Entre os nomes muito usados e pouco entendidos estão Angatuba (Reunião de Almas), Itapeva (Pedra Chata), Cosmópolis (Cidade Universo) Jacareí (Rio dos Jacarés), Jundiaí (Rio dos Jundiás), Marília (homenagem a Marília de Dirceu) e Paraibuna (Rio Ruim).

Agencia Estado,

24 de março de 2004 | 13h35

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