Livro atesta a exclusão do negro na universidade

A universidade no Brasil, para a professora da Universidade do Estado da Bahia, Delcele Mascarenhas, é território branco. Os brancos, segundo ela, representam mais da metade dos alunos em cinco universidades federais pesquisadas: a do Rio de Janeiro, a do Paraná, a do Maranhão, a da Bahia e a de Brasília. No livro "O negro na Universidade", que lançou nesta terça-feira, Delcele mostra que os afrodescendentes (negros e pardos) representam apenas 8,6% dos total de alunos na UFPR; 20,3% na UFRJ e 32,3% na UnB.O predomínio dos brancos ocorre mesmo nos Estados onde a maioria da população é negra. Por exemplo, na Bahia, onde 50,8% dos alunos são brancos. Para corrigir a desigualdade, Delcele defende ensino público de qualidade. Ela constatou que a maioria dos universitários negros estudou em escolas públicas, à noite, começou a trabalhar precocemente e os pais não passaram do ensino básico. Delcele não admite o argumento de que as cotas fariam ingressar na universidade um contingente de estudantes despreparados. Segundo ela, no vestibular de 2001 da UFBA, 743 alunos negros foram aprovados em cursos altamente valorizados, mas apenas 167, classificados. "Depois de romper todas as barreiras e os seletivíssimos requisitos do vestibular, foram impedidos de ser médicos, advogados e odontólogos."

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