JOÃO BITTAR / UNESCO- MEC
JOÃO BITTAR / UNESCO- MEC

Livre escolha no ensino médio atrai, mas jovens cobram diálogo

Texto aprovado no Senado flexibiliza a carga horária, permitindo que o aluno escolha parte das disciplinas

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2017 | 00h23

O Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira, 9, a medida provisória (MP) que reforma o ensino médio. O texto agora segue para a sanção presidencial e flexibiliza a carga horária, permitindo que o aluno escolha parte das disciplinas. A proposta é a primeira reforma do governo Michel Temer a ser aprovada no Congresso, após polêmicas quanto a disciplinas obrigatórias, como Artes e Educação Física, e falta de uma discussão maior com a sociedade. 

Luana Siqueira dos Santos, de 16 anos, está no 3.º ano na Escola Estadual Zuleika de Barros, na Pompeia, zona oeste paulistana. Ela disse ser contrária à reforma por não ter sido discutida com os alunos e ainda deixar muitas dúvidas. “Mudaram todo o ensino sem ouvir quem vai ser de fato afetado com a mudança. A escola precisa mudar, porque hoje ela não é atraente, mas não acho que essa reforma era o que precisávamos”, disse.

Segundo Luana, os estudantes gostariam de ter aulas nas quais pudessem participar mais. “O que adianta escolhermos qual área vamos seguir se as aulas vão continuar da mesma maneira? O problema não está nas matérias, mas na maneira como o ensino é dado”, ressaltou. “É interessante estudar aquilo que mais te interessa, mas nós precisamos saber muito mais do que só o que queremos. Acho que muito jovem pode deixar de descobrir matérias que mais tarde gostaria e não vai ter oportunidade.”

Adriano Adoni, de 16 anos, estudante do Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, destacou a importância de aumentar a carga horária e permitir que os adolescentes escolham a área de estudo. “Sempre invejei os alunos de países como os Estados Unidos e Canadá por terem a opção de montar o próprio currículo, em vez de ter 12 matérias obrigatórias.” 

Para ele, o incentivo para a trajetória profissionalizante também é muito positivo. “Minha perspectiva é de um jovem de classe média alta, mas imagino que para o aluno de escola pública, que quer trabalhar para ajudar a família, ficar horas estudando algumas matérias não faz sentido.” 


 

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