Lideranças brasileiras falam sobre os 80 anos da USP

No sábado, dia 25 de janeiro, a Universidade de São Paulo completa 80 anos de história

23 Janeiro 2014 | 18h23

No sábado, dia 25 de janeiro, a Universidade de São Paulo (USP) completa 80 anos de história. Veja o que algumas lideranças do País pensam sobre a universidade, considerada a melhor instituição de ensino superior do Brasil e da América Latina.

"Melhor universidade da América Latina, a USP congrega hoje mais de 92 mil alunos em 42 unidades de ensino e pesquisa. Sozinha, é responsável por 23% da produção científica e por 21% de todos os alunos de pós-graduação do país. A USP contribui diariamente para construir um Brasil sintonizado com o mundo, justo e democrático. De seus bancos saíram empreendedores de sucesso, cientistas de prestígio, intelectuais com grande contribuição para o pensamento da sociedade e diversos artistas. Doze presidentes da República estudaram na universidade, além de ministros, governadores, prefeitos e parlamentares. A USP percorreu estes 80 anos sem desviar-se de seus ideais de liberdade e excelência. Seu caminho, agora, é consolidar-se como instituição de alcance global." Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo

Assista ao vídeo com o professor José Goldemberg, ex-reitor da USP 

 

"A USP é uma grande universidade, com relevante história pra ciência e educação brasileira. Na minha história, tem um papel primordial. Fiz minha graduação na época do recomeço das mobilizações estudantis pela reconstrução do Estado democrático de direito. Seja pela importância acadêmica, seja por  essas mobilizações, a USP tem um relevante papel na história de muitos da minha geração."Aloizio Mercadante, ministro da Educação, formado em Economia em 1973

“A USP foi criada há 80 anos em um momento no qual o Brasil se renovava, mas ainda havia muita incerteza sobre nossa capacidade para enfrentar os desafios do mundo. Na ocasião, as camadas dirigentes de São Paulo, que haviam perdido sua luta para consolidar os avanços democráticos no plano nacional, reagiram criando uma instituição de ensino superior que preparasse as gerações futuras para os grandes desafios do desenvolvimento do País. Em consonância com a atitude moderna e destemida que o momento requeria, a USP iniciou seus passos abrindo-se ao mundo, sem preconceitos provincianos. Assim, buscou os melhores professores europeus para ajudarem, junto com o que de melhor havia em SP, a revolucionar as práticas de ensino e pesquisa. Foi graças  a esse espírito pioneiro que a universidade conseguiu ser o que é até hoje: tanto um local onde se preserva o saber, como uma fonte de inovação. Para que essa característica se mantenha, a USP precisa continuar aberta socialmente, incluindo cada vez mais as novas camadas sociais, sem perder o sentido do mérito e da inovação. Estes requerem competição e abertura de espírito, sem temor dos influxos intelectuais vindos de outras universidades brasileiras ou estrangeiras." Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e cientista político, ex-ministro da Fazenda e das Relações Exteriores e presidente do Brasil entre 1995 e 2002. graduado em 1952, começou a lecionar lá na mesma década

“Estudei Direito e História na USP, trabalhei 26 anos como consultor jurídico da reitoria e lecionei por dez anos no Departamento de História. A USP fez parte da minha vida, a tal ponto que hoje moro quase nos seus portões. Mais um pouco e eu me integro fisicamente à universidade. Nunca imaginei estudar em outra universidade.” Boris Fausto, advogado e historiador, autor dos livros “A Revolução de 1930” e “A História do Brasil”. Formado pela USP em 1953 e professor a partir da década seguinte

"A USP tem hoje, para mim, um sentido de grandeza que vai além do que eu podia perceber quando estava em atividade no curso de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia. Sem diminuir a importância das instituições universitárias do Rio de Janeiro, onde me encontro, creio que a USP assume hoje um significado muito próximo daquele sonhado por seus fundadores em meados dos anos 30 do século passado. Não falo apenas de liderança, um conceito muito discutível quando se trata de universidades, mas, sobretudo, de presença e de exemplaridade. Nas minhas atividades de hoje, eu me dou conta, pelo olhar dos outros, que a USP é mais importante do que eu imaginava quando fui seu aluno e professor. Talvez isso venha das origens. As áreas de historia, sociologia e ciência política, receberam, como as de filosofia e antropologia, a influência seminal dos franceses, italianos e alemães, do período da fundação da Faculdade de Filosofia.  Tendo alcançado desde então sua consolidação institucional na USP, essas ciências humanas contribuíram, junto com outras disciplinas, para a  criação de setores afins na UNICAMP  e na UNESP. Do mesmo modo, têm contribuído para o desenvolvimento destas disciplinas em todo o país." Francisco Weffort, ex-ministro da Cultura e hoje professor do Ibmec/Rio; Foi aluno da USP e é professor emérito da FFLCH, onde iniciou a docência em 1961

“Foi na Faculdade de Medicina da USP, junto à equipe do prof. Zerbini, que eu fiz toda a minha capacitação em cirurgia cardíaca. Se tenho algum mérito, eu o devo à USP” Adib Jatene, ex-ministro da Saúde e diretor-geral do HCOR; Formando em 1953

“Toda a minha formação acadêmica é devida à USP. A Faculdade de Economia e Administração me abriu o caminho da teoria econômica e me deu os instrumentos para a pesquisa.” Affonso Celso Pastore, economista, professor da FGV-RJ e ex-presidente do Banco Central; Graduado pela USP em 1962 e professor a partir do ano seguinte

"A Universidade de São Paulo marcou a minha vida e a de várias gerações de paulistanos e paulistanas, e até mesmo de gente de outros estados e países que ali passaram como alunos e professores.  Ingressei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco no final dos anos 60, onde vivi momentos inesquecíveis. Tive a oportunidade de conviver com professores e colegas que hoje são considerados grandes juristas da história de nosso país, além de excepcionais cidadãos e intelectuais brasileiros. Tais mestres me iniciaram na prática da justiça, da defesa dos direitos humanos, e dos direitos das crianças e adolescentes, o que até hoje influencia minha atividade como Magistrado, como cidadão e como professor. Por tais razões, a USP, para mim, possui essa marca: um celeiro de valores, que forma intelectuais, profissionais e cidadãos brasileiros, comprometidos com a construção de um país cada vez mais justo e democrático." Antonio Carlos Malheiros, desembargador do TJ de São Paulo, graduado em Direito em 1973

“Tenho muito orgulho de ter estudado na USP, que me deu uma excelente formação. Minha ligação com a Universidade, inclusive, vai além de minha formação, pois meu pai e muitos outros companheiros que ajudaram a construir o Itau Unibanco também passaram por lá”. Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, formado pela Escola Politécnica em 1977

“A USP tem sido uma grande parceira ao longo de mais uma década de trabalho conjunto. A preocupação da universidade com o tema de internacionalização, que uma das nossas bases de trabalho, gerou grandes frutos no último ano. Tivemos a honra de apoiar a universidade na abertura de 3 sedes da universidade fora do Brasil: em Boston, Londres e Cingapura. É um orgulho podermos contribuir ativamente com as iniciativas que formam cidadãos ainda mais preparados por uma universidade tão conceituada e com credibilidade mundial no mundo acadêmico.”  Jamil Hannouche, diretor do Santander Universidades Brasil

"A Universidade de São Paulo, como uma das instituições educacionais mais importantes da América Latina ao longo dos seus 80 anos, tem desempenhado uma importante missão na formação acadêmica e para o mercado de trabalho. Na medida em que o Brasil e São Paulo tem desenvolvimento econômico e social, o desafio fica cada vez maior. Como ex-aluno, o desafio mais significativo que a USP tem daqui pra frente é o desenvolvimento da USP Leste. Porque lá moram hoje 4 milhões de pessoas e a contribuição da universidade é muito importante para que a formação os jovens da região possa contribuir significativamente na formação da sociedade." Ruy Ohtake, arquiteto, formado pela USP em 1960  

"Desde seu inicio, a USP desenvolveu uma cultura baseada na ideia de que o que faz uma universidade digna deste nome é o talento e a competência de seus professores, que transmitem e revigoram estes valores com seus alunos. É isto, e mais o reconhecimento de sua importância e o apoio que recebe da sociedade paulista, que faz dela a principal Universidade da América Latina e uma das mais importantes do mundo. Os desafios de hoje, com seus quase cem mil alunos e seis mil professores em todas as áreas de conhecimento, é como lidar com a diversidade de expectativas, demandas e pressões que recebe de todos os lados.  São desafios que só podem engrandecê-la, desde que seus valores centrais de valorização do talento e da competência sejam preservados." Simon Schwartzman, foi professor da USP e presidiu o IBGE na década de 1990

 

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