Líder comunitário vira pai para jovens carentes

No carente Parque Santo Antônio, no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo, o maranhense Nestor Quintos de Oliveira, de 60 anos, é um líder comunitário mas acaba assumindo outros papéis adicionais. Ele é um pouco professor, médico, assistente social, psicólogo e, também, pai dos jovens que freqüentam a Casa de Cultura e Educação São Luís."A gente quer oferecer o melhor para nossa juventude. Não é só pensar nos meus filhos, mas também nos filhos dos outros", diz o responsável pela administração do local.Na Casa de Cultura, os jovens da região fazem cursos profissionalizantes e de línguas, além de atividades físicas, como ginástica e ioga. Lá funciona o primeiro infocentro, projeto do governo estadual para levar acesso a internet e informática para a periferia, da capital.É uma alegria para Oliveira ver a sala de computadores cheia. "Aqui é o lazer deles, me sinto feliz quando vejo os outros felizes."ConquistasHá 18 anos no bairro, Oliveira começou a se envolver com as questões da comunidade para resolver os problemas da favela no Parque Otero, onde foi morar logo que chegou. Mas no início foi difícil conseguir a adesão dos moradores, conquistada aos poucos.Água e luz foram as primeiras vitórias. "Não existe nada impossível, o que há é um pouco de habilidade e vontade de fazer as coisas."Oliveira também se engajou no movimento de mutirão, que ergueu no bairro um conjunto de prédios, beneficiando cerca de 2 mil famílias. Além disso, por causa da facilidade de negociação do líder comunitário, foram construídos prédios do Cingapura e da CDHU na região. "Eu não tenho dificuldade de comunicação, de falar com o governo ou com empresários."Parque Cultural da PazO próximo projeto, para o qual Oliveira pretende obter a ajuda da prefeitura, do Estado e de empresários, é a criação do Parque Cultural da Paz. O nome do espaço, que terá atividades de lazer e esporte, tem forte significado.Ele será construído ao lado do muro do Cemitério São Luís, onde, segundo Oliveira, 70% dos jovens vítimas da violência na região são enterrados. "É um presente que representa a qualidade de vida que eu quero oferecer para a juventude." Tanta dedicação ao bairro poderia ser motivo de ciúmes da família, mas Oliveira afirma que os seis filhos dele compreendem o envolvimento com a comunidade. "Eles acham que o que eu faço está certo", diz.Filha monitoraApenas as duas filhas moram com ele e os rapazes vivem em outras cidades. Francinete, a terceira, trabalha como monitora do infocentro. "Ela não me larga", afirma. Influenciada pelo pai, Francinete engajou-se nas causas sociais e montou uma rede virtual de entidades assistenciais. Neste domingo, Oliveira passa o dia em homenagem aos pais com as duas filhas que estão em São Paulo. "Que bom seria se todos os pais tivessem esta oportunidade."Clique para ler mais em Amor dividido entre a família e o bairro Atentos ao futuro, pais organizam vizinhos

Agencia Estado,

08 de agosto de 2003 | 16h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.