Licitação do Enem tem só um consórcio inscrito

Participante do grupo, Funrio cancela simulado nacional que faria em 8 de agosto

Elida Oliveira e Bruna Tiussu, Especial para O Estado de S. Paulo

22 Julho 2009 | 19h54

O Consórcio Connase, formado pela Consultec, Funrio e Cetro, foi o único a apresentar proposta para a realização das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. A informação está publicada no Diário Oficial da União de 21 de Julho, com o resultado da ata da reunião da Comissão Especial de Licitação do Inep realizada um dia antes. Com isso, o consórcio deverá ser o escolhido para a aplicação da prova – o resultado oficial da licitação sai até o fim da semana, segundo o Inep. O fato de ser o único participante da concorrência levou a Funrio a cancelar o simulado nacional do Enem, que seria feito em 8 de agosto em parceria com a consultoria educacional Abaquar. Cerca de mil alunos já haviam pago a taxa de R$ 30 para a inscrição. A Funrio prometeu devolver o dinheiro aos estudantes. Para Waldir Ferreira, coordenador de Concursos da Funrio, o desinteresse das concorrentes pode ser atribuído à logística da prova, que será realizada em todo o Brasil e teve 4,5 milhões de inscritos. "O volume de trabalho e a logística para a aplicação não são nada simples. Além disso, o prazo foi curto. Pode ter havido dificuldade das demais empresas", disse.  Ferreira disse que a falta de outros competidores não prejudica o governo. "No edital houve um limite máximo de custos." O Enem vai custar R$ 52.971.230,93. A maior parte dos gastos será concentrada na aplicação da prova e divulgação do gabarito (R$ 25.729.233,22) e na elaboração, impressão, acondicionamento e distribuição das provas (R$ 9.391.190,13). Cotadas como possíveis participantes da licitação, a Cesgranrio, do Rio, e a Cespe, da Universidade de Brasília, disseram não ter interesse na concorrência por estarem envolvidas em outras aplicações de provas em períodos próximos à realização do Enem. O Cespe, por exemplo, disse que preferiu concorrer na licitação da Prova Brasil e do Enade, também promovidos pelo Inep, e afirmou que não teria infraestrutura suficiente para realizar os três exames no mesmo ano.   Procurada pela reportagem, a Vunesp, que também tem experiência com a aplicação de grandes provas, disse estar envolvida com outros compromissos para o segundo semestre de 2009. "Temos concursos e vestibulares para esse período", disse o diretor de Planejamento e Desenvolvimento, Edwin Avolio. Simulado A Funrio divulgou nota ontem esclarecendo que vai devolver o valor pago na taxa de inscrição do simulado nacional. Nos últimos dias, estudantes enviaram e-mails ao Estadão.edu se queixando de que não conseguiam se inscrever para o exame ­– os sites da fundação e da Abaquar informavam apenas que as inscrições estavam encerradas. A divulgação da nota só ocorreu depois de a Funrio ter sido procurada pela reportagem. Ferreira disse que a fundação não informou de imediato sobre o cancelamento do simulado porque estava estudando de que forma iria devolver o dinheiro aos estudantes. "Lamentamos ter criado essa expectativa. A nossa intenção era colocar o aluno em contato com a prova do Enem". De acordo com ele, a Funrio entrará em contato pelo e-mail ou número de telefone informado na ficha de inscrição dos alunos. A previsão é de que esta operação comece já no início da próxima semana. "A velocidade na devolução vai depender de conseguirmos entrar em contato com os alunos, porque muitos podem não acessar aos e-mails diariamente ou não serem localizados nos telefones informados." A realização do simulado era uma parceria entre a Funrio e a Abaquar, empresa de consultoria educacional. Para Gisele Gama, presidente da Abaquar, a participação quase certa da Funrio na aplicação do Enem tornou inviável a parceria e a realização do teste. "Fomos pegos de surpresa, mas não podemos misturar as coisas. Sei que geramos uma expectativa que não será cumprida, mas, por questão de lisura, decidimos cancelar o simulado." Ferreira disse que, quando firmou parceria com a Abaquar para o simulado nacional, não havia interesse da Funrio em entrar na concorrência pelo Enem. "Estávamos interessados na Prova Brasil." De acordo com ele, os interesses da empresa mudaram. "Optamos pelo Enem pela experiência da diretoria da Funrio, que já trabalhou no exame quando integrava outras empresas." Leia mais: Deciframos o DNA do Enem Novo Enem terá 180 questões Presidente do Inep define questões, data e horário do Enem(1) Presidente do Inep define questões, data e horário do Enem(2)

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