Divulgação/ Hexag
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Liberada desde julho no interior de SP, aula presencial em pré-vestibular tem baixa adesão

Estudante conta como tem sido a rotina na retomada das aulas; diretora pedagógica fala em oferecer aulas online mesmo após o fim da pandemia

João Prata, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 11h20
Atualizado 18 de setembro de 2020 | 18h31

Os cursinhos pré-vestibular no Estado de São Paulo, com exceção da capital, são considerados cursos livres. Desde 14 de julho, regiões que estivessem há 14 dias consecutivos na fase amarela do plano de flexibilização da quarentena poderiam retomar as aulas presenciais, desde que com até 35% dos alunos. Apesar dessa autorização, poucas foram as instituições que reabriram as portas. E quem optou pelas aulas presenciais notou que houve uma baixa adesão dos alunos.

Na cidade de São Paulo, a Prefeitura anunciou nessa quinta-feira, 17, a reabertura de escolas e faculdades a partir de outubro. A gestão do prefeito Bruno Covas diz que os cursinhos ainda não tem liberação para funcionamento e que vai esperar mais um pouco para apresentar protocolos específicos para esse serviço.

O Anglo Sorocaba iniciou as aulas presenciais há três semanas. Apenas 20% dos cerca de 70 alunos mostraram interesse em retornar. "Acredito que por dois motivos. O primeiro, sem dúvidas: medo. E o segundo é que alunos de cursinhos já são mais maduros e estão conseguindo conduzir ensino a distancia. Então, para eles, têm sido mais tranquilo assistir aulas em casa", disse Carol Lyra, diretora pedagógica do Anglo Sorocaba.

A unidade tem aproveitado o ensino presencial como atividade de apoio. "Tem vindo um ou dois por dia. Tem dias que não vem ninguém. Aqui oferecemos acolhimento, que é um apoio psicológico neste momento, e também espaço para revisão e plantão de dúvidas", contou Lyra.

A preocupação maior dela nos últimos meses é com a evasão. A diretora conta que, dos 300 alunos que começaram o ano, apenas 70 continuam matriculados. Para 2021, Lyra espera o retorno das aulas presenciais, mas informou que o cursinho oferecerá também a opção de o aluno fazer apenas aulas online, com a mensalidade 50% menor em relação ao ensino tradicional.

O Hexag Medicina retomou as aulas há seis semanas nas unidades de São José do Campos e Campinas, além do Rio de Janeiro - nas unidades da capital paulista e de Belo Horizonte ainda aguarda a liberação das prefeituras. A adesão também foi baixa no início, mas aos poucos os estudantes têm tido mais confiança em ir à escola.

Adilson Ferreira Junior, de 20 anos, está no terceiro ano de cursinho. Ele estuda na unidade de São José dos Campos e optou desde o início da reabertura em assistir as aulas presencialmente. "No começo tive certo receio, mas vi um vídeo que a direção fez para os alunos com todos os protocolos de segurança e me senti confortável em ir." Ele vai de moto até o Hexag. "Na entrada, medem nossa temperatura. Há também um tapete higiênico na porta. Há diversas torres com álcool em gel espalhados. Os professores usam máscara e face shield (escudo facial). A gente usa máscara o tempo lá dentro", explicou.

Por causa dos protocolos do Plano São Paulo (o programa estadual de reabertura), as aulas presenciais no Hexag duram seis horas: das 7h às 13h. O ensino no período da tarde continua a distância para todos. "Para oferecer mais segurança, optamos também por colocar somente 16% dos alunos por classe e não os 35% conforme a recomendação", explicou Herlan Fellini, diretor pedagógico.

O rodízio dos alunos é feito por meio de lista, atualizada semanalmente. Dos cerca de 70 alunos da unidade, a média de presença na lista varia de 20 a 25. Junior explica que, por isso, a ida ao cursinho varia entre duas e três vezes por semana. "Vamos intercalando. A sala de aula é melhor do que em casa, para mim. Fico menos disperso. Sigo os horários melhor. O ano é bem atípico e voltar o ensino tem sido importante para minha concentração."

Expertise no ensino a distância atrai alunos

Diferentemente do Anglo Sorocaba, o Hexag teve aumento dos alunos durante a pandemia. Isso porque o cursinho já era especializado no ensino a distância antes dos fechamentos das escolas. "A salas já tinham microfone embutido no teto, espuma acústica e os alunos podiam assistir presencialmente ou em casa. Então, no dia seguinte a determinação, em 18 de março, já estávamos prontos", explica Herlan.

O diretor conta que, somando todas as unidades, 76 alunos deixaram a instituição, mas 121 se matricularam ao longo da pandemia. O cursinho prepara para a próxima segunda-feira, 21, um novo método de ensino para avaliar a efetividade do ensino a distância. De acordo com Adolfo Brandão, diretor pedagógico do Hexag no Rio, a intenção é que o aluno estude sozinho o conteúdo e na sequência proponha a discussão do assunto com o professor.

Parte dos preparatórios mantém rotina a distância

Outros cursinhos pré-vestibular no interior optaram por não retomar aulas presenciais, mesmo após a autorização do governo. É o caso do Pandora (Jundiaí), do Poliedro (São José dos Campos e Campinas), Anglo (São José e Taubaté) e o Etapa (Valinhos). "Quando foi liberado o retorno, Valinhos ainda estava na fase laranja do Plano São Paulo (a segunda mais restritiva, anterior à amarela). Agora já poderia ter recomeçado, mas nosso esquema de trabalho em EAD (ensino remoto) tem sido bastante eficiente. Estamos monitorando de acordo com a opinião dos pais e dos alunos. A maior parte ainda é relutante e diz que o ensino a distância está funcionando", contou com o diretor pedagógico Marcelo Fonseca, que também está à frente de três unidades na capital paulista.    

Na cidade de São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) publicou decreto em que vetou a retomada das aulas dos cursinhos a partir de 13 de julho. Diretor das duas unidades do Anglo na capital, Daniel Perry, disse que realizou uma pesquisa sobre retorno das aulas presenciais com os cerca de 4 mil estudantes. "Mais de 70% não se sentem seguros em retornar. Por isso não vamos nos precipitar."

Na terça-feira, o governo paulista autorizou o retorno das aulas presenciais com atividades extracurriculares em municípios há mais de 28 dias na fase amarela do plano de reabertura. O aval, no entanto, depende das prefeituras, que sofrem pressão contrária dos professores. Segundo a Secretaria da Educação do Estado, 128 municípios sinalizaram abertura em setembro - a lista das cidades não foi divulgada.

"Mesmo tendo autorização, não pretendemos retomar por enquanto. Vamos observar essa primeira fase para ver como o cenário fica. O momento é de cautela e observação para decidir um possível retorno para outubro", declarou Monica Kukita, diretora do Anglo de São José dos Campos.

O período de setembro até outubro deverá ser aproveitado pelas instituições para realizar presencialmente plantão de dúvidas, atividades esportivas, aulas em laboratórios de informática e ciências, entre outras ações ligadas ao reforço e recuperação do que já foi ministrado. Novos conteúdos curriculares, conforme o plano do governo estadual, só poderão ser aplicados a partir do dia 7 de outubro.

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