Lenda do xadrez, Kasparov joga com crianças em SP

Russo disputou partidas simultâneas com alunos do Sesi

Carlos Lordelo, Estadão.edu

01 Setembro 2011 | 21h44

Desconcentrado e ansioso, Rafael Valente perdeu a partida de xadrez em apenas quatro lances. Logo de cara, o garoto de 10 anos tirou dois peões da frente do rei. O oponente não perdeu tempo e, usando a rainha, deu xeque-mate. Mas Rafael não ficou triste. Afinal, não é todo dia que se tem a oportunidade de ser derrotado por Garry Kasparov, um dos maiores jogadores da história.

 

"Estava muito nervoso", conta Rafael, aluno do 4.º ano do ensino fundamental do Sesi Ipiranga. Ele e outros sete colegas de outras unidades do Sesi na capital participaram de uma partida simultânea contra Kasparov na tarde desta quinta-feira, 1.º de setembro, na sede da Fiesp, na Avenida Paulista.

 

Marcante. Segundo o russo, que ganhou seu primeiro título mundial aos 22 anos, algumas crianças jogaram bem. "Outras precisam praticar mais. De qualquer maneira, espero que tenha sido um momento marcante na vida delas", disse. "A disputa foi importante para lembrar da importância do xadrez no processo de ensino-aprendizagem."

 

Rafael joga há cinco anos, na escola e em casa. Diz que o xadrez melhorou seu desempenho na sala de aula e também nas brincadeiras com amigos. "Aprendi a fazer novas estratégias." Nas 178 escolas do Sesi-SP, o xadrez passará a compor a grade curricular no próximo ano. "O jogo melhora o raciocínio lógico e a noção de espaço, além de ajudar na disciplina, entre outros benefícios", diz Walter Gonçalves, superintendente operacional do Sesi-SP.

 

Alunos do Senai, funcionários da indústria e empresários também jogaram contra Kasparov nesta tarde. Mas quem deu trabalho mesmo foi Thauane Ferreira de Medeiros, de 17, atleta profissional há 9 anos. "Teve uma hora que tive uma pequena vantagem", afirma a garota, patrocinada pelo Sesi. "Ele errou no cálculo." Não teve jeito: ela abandonou a partida porque não tinha mais condição de ganhar. "Kasparov é um grande mestre, não posso exigir tanto de mim."

 

O atual campeão brasileiro e diretor executivo da Associação pelo Desenvolvimento do Xadrez (ADX),  Giovanni Vescovi, de 33, espera que a oportunidade de jogar contra Kasparov incentive as crianças a aprofundar os estudos do xadrez. "Se eu tivesse tido essa experiência quando comecei a jogar, teria ficado muito emocionado", confessou.

 

Agenda. Kasparov está no Brasil desde segunda-feira, 29 de agosto. Já jogou xadrez com políticos em Brasília e, em São Paulo, enfrentou enxadristas profissionais e deu palestra para empresários. Amanhã ele participa da abertura do I Seminário de Xadrez Escolar, realizado pela secretaria estadual da Educação, e disputa uma nova partida simultânea, desta vez contra 20 alunos de escolas públicas da capital.

 

No sábado, Kasparov deve ir à favela de Heliópolis, na zona sul, para conhecer um projeto social que ensina xadrez a crianças de 6 a 14 anos. A agenda do supercampeão na capital paulista termina domingo, com uma visita ao Colégio Albert Sabin. Depois o russo embarca para Porto Alegre, onde cumprirá novos compromissos, entre palestras e apresentações organizadas pela ADX.

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