Lei proíbe que alunos carreguem mochilas pesadas demais

Uma nova lei municipal vai dar uma mãozinha para pais e ortopedistas que tentam diminuir o peso da mochila escolares das crianças. No próximo ano letivo, os alunos não poderão mais carregar nada cuja carga seja superior a 10% do seu peso.A lei, já sancionada pela prefeita Marta Suplicy, vale apenas para escolas municipais, mas trouxe de volta a discussão sobre os danos causados pelo peso nas costas, em todas as redes de ensino."A intenção é a de prevenir e de educar, não há como punir a mãe ou a escola por isso", disse o diretor de orientações técnicas da Secretaria Municipal da Educação, José Alves da Silva.Segundo ele, os professores serão treinados para ficar de olho no que os alunos levam nas mochilas."Muitas crianças têm preguiça de verificar o horário de aula diariamente e acabam trazendo o material de todas as disciplinas", explica a diretora da Emef Tenente Aviador Frederico Gustavo dos Santos, Marli Simacek.Mesmo assim, ela admite que são muitos os livros que alunos - principalmente da 5ª a 8ª séries - precisam carregar. "A escola não tem como fazer armários para todos eles."Seja na rede pública seja na particular, o problema é sempre maior entre alunos das últimas séries do ensino fundamental e do médio. Aumentam o número de disciplinas, a quantidade livros e, conseqüentemente, o peso nas costas."Minha filha se recusa a levar mochila com rodinha porque diz que é coisa de criança", diz a advogada Monica de Almeida Prado. Segundo ela, a filha Luisa, de 11 anos, carrega diariamente na mochila cerca de 8 quilos de material.A menina, que estuda no Colégio Santa Cruz, sente dores freqüentes na coluna, e o médico já aconselhou diminuir o peso. "Não tem jeito, tenho um livro e um caderno para cada matéria", defende-se Luisa.Segundo o chefe da Ortopedia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Henrique Sodré Filho, o limite de 10% do peso da criança na mochila é justamente o que recomendam os médicos. Mais que isso pode causar vícios de postura, dores musculares, lombalgia e até problemas no crescimento.A lei municipal é de autoria do vereador Raul Cortez (PPS) e foi baseada em um estudo de ortopedistas sobre o assunto.Entre as crianças pequenas, no entanto, a mochila não pesa quase nada e ainda é motivo de orgulho. Nesta terça, na saída da Emei Guia Lopes, no bairro do Limão, os alunos exibiam as maletas oferecidas como parte do material escolar da Secretaria da Educação."Trago todo dia", disse Thiago Conceição Arcanjo, de 4 anos, que se recusava a tirar a mochila das costas mesmo depois de deixar a escola. Dentro, apenas um caderno, um estojo e a blusa de frio. "Ele nem me deixa carregar, mas nunca reclamou de dor nas costas", contou a tia, Célia Conceição.

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2002 | 22h27

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