Juan Guerra/Estadão
Juan Guerra/Estadão

Laura Cardoso: coisas que eu queria saber aos 21

Atriz diz que era charmosa, corajosa e fazia o que gostava: atuar

Estadão.edu,

06 Maio 2014 | 03h00

"Em 1948, eu estudava, fazia rádio e teatro. Comecei com 16 anos. Fiz o ginásio, os estudos clássicos e ia entrar na faculdade, mas, por causa da rádio, não dava. Pensava em estudar Direito, que tem um pouco de teatro no julgamento, na defesa. Mas eu gosto muito da minha profissão.

Casei aos 21, mas acho melhor hoje: a mulher pensa mais, casa mais tarde. Meu marido, Fernando Baleroni, era de rádio também. Sempre gostei muito de representar. Queria ser uma grande atriz, a primeira ou uma das primeiras na arte de representar. Gosto de fazer isso desde pequena. Realizei o que queria. Representar é o que faz meu coração andar e os olhos brilharem.

Hoje, percebo que há uma evolução no modo de representar. Antes, era mais enfatizada, não tão real, e isso vai andando, vai modificando com a atualidade. A profissão tem de olhar para seu tempo. A TV botou um pouco de ilusão no telespectador, que vê cenário e novela e pensa que aquilo é de verdade. Na TV, tudo tem de ser lindo, branco... O rádio e o teatro não causam tanto isso.

Sinto saudades dos colegas, das pessoas que foram embora. Sinto saudade de verdade, de sinceridade no trabalho. Hoje me parece mais fácil do que quando comecei. Se for bonitinho, é meio caminho andado.

Eu nunca fui bonitinha, era charmosa. Aos 86 anos, vejo que era uma menina guerreira, corajosa, que não desviou da meta: fazer arte. Eu tinha uma liberdade grande dentro de mim, fazia o que gostava. Quero continuar representando. Só quero parar quando o mestre lá em cima disser: ‘Vamos embora’."

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