LUÍS LIMA/AE
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Laboratório da revolução

Media Lab da ESPM pesquisa impacto da cultura digital na publicidade, no jornalismo e na indústria de entretenimento

Luís Lima, Especial para O Estadão.edu,

29 Outubro 2012 | 23h15

Os antigos cursos de Comunicação Social tinham uma disciplina de comunicação comparada. Em apenas um semestre, o aluno estudava como se escrevia para jornal, televisão ou rádio, nos velhos tempos em que informação e meios eram escassos e tinham formatos muito claros. Alguém concebe hoje arranjos tão estanques?

O exemplo acima é usado pelo professor da ESPM Vinícius Pereira para explicar os motivos que levaram a escola a criar o Media Lab, dirigido por ele. Com o tsunami da revolução digital, linguagem é tudo, mas a comunicação comparada sumiu dos currículos. Uma das causas é a multiplicidade de meios, porque não é em um semestre que alguém vai aprender a formatar conteúdos para jornais, sites, tablets e smartphones. Mas há outra: ninguém ainda sabe direito como são e até onde podem chegar essas novas linguagens. A impressão que se tem é a de que estamos sempre correndo atrás da última inovação.

Na época em que um infográfico, por exemplo, deixa de ser um suporte à informação para se tornar a própria informação, faz mais sentido pesquisar, formar gente capaz de refletir sobre o novo cenário, catalogar experiências inovadoras e trabalhar em conjunto com indústrias mais diretamente afetadas pelo tsunami – como as do entretenimento, da publicidade e do jornalismo. É esse o objetivo do ESPM Media Lab, que se divide em sete áreas, dedicadas a temas como novas linguagens, expressões visuais e sonoras, comunicação multissensorial e mídias sociais.

“Tudo hoje é muito mais complexo e você começa a ver a emergência de novas linguagens. Quando está produzindo conteúdo para um portal, existe uma linguagem para site, que é pensado como um suporte, com visualidade e gramática específicas. Quando vai para o celular, isto já muda completamente. E tem os tablets aí no meio”, diz Vinícius. Quer adicionar mais complexidade a esse quadro? “Hoje nem podemos falar em diferentes mídias, na verdade. Prefiro usar a expressão arranjos midiáticos. Posso pegar um tablet, conectar à web, acoplar a um projetor e aí ele vira outra coisa.”

Telas. No núcleo de comunicação multissensorial, por exemplo, o Media Lab está investigando os impactos das telas sensíveis a toque na comunicação. Embora ainda provoque arrepios em algumas pessoas da geração que cresceu associando leitura a papel, a facilidade com que crianças pequenas usam tablets mostra que mal arranhamos a superfície de mudanças muito mais profundas. “Com a cultura táctil de hoje, a gente tem uma gramática da informação que não pode se pautar só na visualidade. Se a tela é tocada pelo dedo, e não pela pontinha do mouse, tem de haver uma distância muito maior entre as teclas, por exemplo”, diz Vinícius.

O Media Lab também foi concebido como um espaço de formação de estudantes. Aluno do mestrado em Marketing da ESPM, Ederson Manoel, de 26 anos, faz parte do laboratório há apenas duas semanas, mas já se integrou a quatro núcleos.

“Eu me interessei porque é um espaço de experimentação de novas linguagens e formatos de comunicação”, diz Ederson, que trabalha como social media em uma agência de comunicação especializada. “Estamos mapeando os principais cases na área de mídias sociais, criar um top 100 de melhores práticas e depois formatá-lo em um produto final.”

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