Khan Academy pode chegar aos outros 65%

De 2004 para cá, aulas já foram assistidas mais de 200 milhões de vezes; novo projeto surge em versão offline

Patrícia Gomes, do Portal Porvir,

24 Dezembro 2012 | 14h58

Salman Khan começou, sem querer, uma metodologia que muitos hoje dizem estar liderando a revolução online da educação. Com vídeos curtos, majoritariamente sobre assuntos de matemática e ciências, agregados em uma plataforma, ele conseguiu levar conteúdo do ensino básico para todo o mundo. De 2004 para cá, suas aulas já foram assistidas mais de 200 milhões de vezes. Mas no meio desse caminho de sucesso, um de seus estagiários se incomodou com uma conta que não fechava: como revolucionar a educação no mundo se apenas 35% das pessoas têm acesso à internet? Como resposta, Jamie Alexandre lançou, na semana passada, a Khan Academy Lite, uma versão offline da plataforma que reúne vídeos e exercícios e funciona sem a necessidade de conexão constante.

A iniciativa foi recebida com entusiasmo pela Khan Academy, que anunciou o feito de Alexandre em seu blog. O site desenvolvido pelo jovem e os voluntários que arrebanhou em muito se parece com o da Khan e apresenta um passo a passo sobre como a versão offline funciona. Primeiro, o interessado deve seguir as instruções e baixar para um computador a Khan Academy Lite, um aplicativo leve que contém os vídeos e os exercícios da plataforma tradicional. Essa máquina, mesmo que seja rudimentar, funcionará como um servidor local e o conteúdo que ela carrega poderá ser acessado por outros dispositivos, em vez de ser necessário o acesso à internet.

“Uma das principais virtudes da ‘revolução on-line da educação’ que estamos vivendo é a redução de barreiras geográficas e financeiras de acesso à educação para populações menos privilegiadas. Apesar da penetração em países desenvolvidos, apenas cerca de 35% da população global é classificada como ‘usuária de internet’. Fora do mundo desenvolvido, esse número cai para 30%”, diz Alexandre em seu blog pessoal. Apesar da perspectiva de que, em dez anos, a internet vá se tornar universal, continua ele, deixar os que não têm acesso à web para trás seria perder mais uma geração. “Os países onde a internet funciona pior também são os que vivem em pior situação sob diferentes aspectos, inclusive educação.”

Com o KA Lite, Alexandre espera conseguir fazer com que as videoaulas e os exercícios da plataforma cheguem a regiões rurais de todo o mundo. O jovem conta que já está em contato com a Numeric, uma organização que leva a Khan Academy para a África do Sul e enfrenta dificuldades por ter de contar com conexões muito instáveis. Outro uso que ele diz ter descoberto apenas no decorrer de sua empreitada é em sistemas prisionais dos EUA, onde o acesso à internet é controlado por motivo de segurança. “Mal posso esperar para ver onde o KA Lite vai ser usado e as coisas já começaram a acontecer”, diz.

No Brasil, a Fundação Lemann está traduzindo os vídeos e levando a Khan Academy para escolas públicas. De acordo com Daniela Caldeirinha, coordenadora de projetos da instituição, o acesso à internet estável ainda é um problema no país e a iniciativa pode ajudar a democratizar o acesso aos vídeos. Mas faz um alerta: muitas das funcionalidades que a Khan tem se esforçado em desenvolver dependem da internet – como o mapa de aprendizagem e as interações entre os usuários – e a versão offline não conta com elas.

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