Justiça condena estudantes e faculdade de SP por trote violento

Caloura que ficou com sequelas após queimaduras com produto químico de lavar carros vai receber R$ 70 mil de indenização

CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

27 Agosto 2014 | 12h55

ARAÇATUBA - O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou três universitários e a mantenedora das Faculdades Integradas Padre Albino, de Catanduva, no interior de São Paulo, a indenizar em R$ 8,3 mil - cerca de R$ 70 mil atualizados - uma estudante que sofreu ferimentos graves em trote violento, nas dependências da faculdade, em 2000. A decisão do TJSP, publicada nesta terça-feira, 26, confirma sentença dada em 2009 em primeira instância - a ela cabe recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A decisão beneficia Mariângela Cláudia Dias Chaves, que adquiriu sequelas permanentes causadas por queimaduras provocadas por produto químico de lavar carros jogado em suas costas durante a recepção aos calouros, em 2000. Três estudantes do 2° ano do curso foram condenados: Elias Geraldo Zanotto dos Santos, Rogério Henrique Bortoletto e Vanderlei Aparecido Frigieri Júnior.

"Me pediram R$ 30,00 para não participar do trote, como eu não tinha dinheiro, decidi participar, mas não imaginava que fosse violento", disse Mariângela Cláudia. "Eles pediram para eu agachar e abaixar a cabeça e avisaram que jogariam algo nas minhas costas, ou seja, sabiam que era algo perigoso e não poderia atingir os olhos", lembrou.

Mariângela Cláudia afirmou que o produto era corrosivo e penetrou em sua pele e que ficou com marcas "iguais às causadas por tiros". "Só pude entrar na piscina em 2011", disse. "Em 2007, eu até tentei, mas, depois que uma menina me perguntou que marcas de tiros eram aquelas, eu desisti."

Por causa do episódio, Mariângela Cláudia declarou que largou os estudos e só se recuperou do trauma psicológico depois que se casou e se tornou pastora de igreja evangélica. "As sessões de terapia da igreja me ajudaram a superar o problema", contou.

Hoje com 37 anos de idade, ela trabalha de projetista de móveis em uma empresa de Catanduva e disse que só decidiu mover ação civil depois que a Justiça absolveu os acusados de cumprir prisão fechada no processo criminal. "Eu não entendi por que eles foram condenados a cumprir somente trabalhos para a comunidade", declarou.

Mariângela Cláudia está satisfeita com a decisão. "Não é pelo dinheiro, porque tive prejuízo muito maior, mas é pelo exemplo que deve ser dado para que outros não façam esse tipo de trote", afirmou. 

Seu advogado, Adriano Goldoni Pires, disse que vai executar a Fundação Padre Albino para fazer o pagamento da indenização. A fundação divulgou nota dizendo ser contra o trote, que puniu os alunos acusados e que não analisou a decisão porque ainda não foi citada. A reportagem do Estado procurou os advogados dos estudantes, mas não os localizou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.