Jovens mostram talento para inovação

Capacete refrigerado, para motoqueiros não esquentarem a cabeça em dia quente; vaso sanitário que responde a comandos de voz, para deficientes físicos; carro que manobra sozinho, ideal para quem tem dificuldade de estacionar em vagas apertadas. Os inventos, todos desenvolvidos por alunos de escolas técnicas do Rio, podem jamais chegar ao mercado, mas dão uma idéia da capacidade de inovação dos jovens brasileiros.O estudante Arthur Salameni, de 17 anos, explica, animado, o funcionamento do capacete batizado de Cuca-Fresca: "Colocamos um compressor de ar na caixa que fica na parte de trás da moto, de onde sai um tubo ligado ao capacete. Com isso, quando está fazendo 40 graus, por exemplo, a temperatura lá dentro fica em 22 graus." Aluno de informática da Escola Técnica Iba Wakigawa/Electra, Arthur trabalhou no projeto durante um mês, com quatro colegas.Nos fins de semanaInvenção de outros cinco alunos das áreas de informática, eletrônica e eletrotécnica da mesma escola, o vaso Sanitec tem como público-alvo os tetraplégicos. O mecanismo é simples e tem resultado interessante: num chip é gravada a voz do proprietário, que dá as ordens para levantar e baixar a tampa e dar a descarga.O sanitário funciona ao reconhecer a voz. Solta um jato d´água para que a pessoa faça sua higiene e um de ar quente em seguida. "É bom para os homens que não têm o costume de baixar a tampa", brinca um dos inventores, Iury Gouveia, de 15 anos.O entusiasmo dos garotos é grande. Eles trabalham fora do horário de aula, perdem fins de semana e, em alguns casos, tiram dinheiro do próprio bolso para ajudar na confecção dos objetos.Vontade de inventar"O aluno que chega à escola técnica tem vontade de ser inventor. Por isso, procuramos oferecer disciplinas mais práticas logo no início do curso", diz o professor Carlos Augusto Neves, de 47 anos, da Iba Wakigawa/Electra. "Eu sentia falta disso quando era aluno, reclamava que tinha muita teoria."O carro que manobra sozinho, que funciona por meio de um sistema baseado nos ensinamentos da pneumática, foi inventado por estudantes do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet). Ele tem um sensor que pára o veículo caso ele se aproxime muito de outro, para evitar batidas.As invenções incluem objetos engraçados, como a máquina de lavar cabelos, acoplada à cadeira de cabeleireiro. Mas há outros de grande utilidade, como os óculos para cegos, que avisam quando houver obstáculos à frente, e a pulseira eletrônica que apita quando o bebê é retirado sem a autorização da mãe, evitando o roubo de crianças em hospitais.PreçosOs cerca de 200 estudantes que expuseram seus inventos na Feira Expotec, este mês no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), mostraram que com pouco dinheiro e bastante criatividade é possível criar objetos com muitas chances comercialização.O protótipo do capacete refrigerado, por exemplo, saiu por R$ 266,00, mas custaria bem menos se produzido em larga escala. O preço do circuito do vaso Sanitec não ultrapassaria os R$ 100,00. O do capacete inteligente ficaria em R$ 200,00. leia também Aluno tem inventos para segurança no trânsito

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