NILTON FUKUDA/ESTADAO
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Alunos de escolas ocupadas apoiam ação no Centro Paula Souza

Pela primeira vez, houve uma intervenção conjunta, com os secundaristas; até mãe de aluno decide participar de protesto

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Os alunos que participaram no ano passado do movimento que ocupou 196 escolas contra a reorganização da rede proposta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) apoiaram e participaram da ocupação do prédio do Centro Paula Souza, na região central de São Paulo. Desde o início do ano letivo, os estudantes da rede estadual e das Etecs têm feito protestos, mas pela primeira vez unificaram a ação.

“Lutamos pela mesma coisa, a melhor qualidade da educação e contra os cortes no ensino. A falta de merenda tem acontecido nas duas redes, por isso, é importante que a manifestação seja em conjunto”, disse Marcela Nogueira dos Reis, de 18 anos, uma das que integraram no ano passado a ação na Escola Fernão Dias, em Pinheiros, que ficou 55 dias sob o comando dos alunos. 

Mesmo já tendo concluído o ensino médio, ela disse continuar nas manifestações estudantis para ajudar os alunos. “Protestar não é fácil, mas eu estou aqui porque quero continuar lutando por uma melhor educação pública. É um absurdo que a gente tenha de lutar por algo tão básico”, disse. 

Durante as manifestações do ano passado, houve apoio e ocupação de Etecs contra a reorganização escolar. “A gente sabe o quanto é difícil aguentar a pressão dos policiais e consegue acalmar os outros estudantes”, disse um estudante da Escola Técnica Estadual São Paulo (Etesp) que participou das intervenções em 2015 e não se identificou por medo de represálias.

A confeccionista Tereza Cristina da Rocha, de 43 anos, mãe de um aluno do 2.º ano do ensino médio da Fernão Dias, também participa da invasão no centro. Ela disse que no ano passado viu a violência policial contra os alunos e, por isso, está acompanhando o filho em mais uma ocupação. “A luta dos alunos é muito importante, fico orgulhosa que ele participe, mas fico com receio pela segurança dele e dos colegas.”

Reorganização. A juíza Carmem Cristina Fernandez Teijeiro e Oliveira, da 5.ª Vara de Fazenda Pública, responsável por dar a liminar contra o projeto de reorganização escolar em 2015, pediu esclarecimentos à Secretaria da Educação do Estado sobre a possibilidade de a decisão estar sendo descumprida. Segundo o Ministério Público Estadual e o sindicato dos professores (Apeoesp), salas estariam sendo fechadas. A secretaria terá dez dias para responder, assim que for intimada. 

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