Clayton de Souza/AE
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Jovens criam projeto para atrair patrocínio para bolsas nos EUA

Site faz ponte entre aprovados em universidades e empresas dispostas a bancá-los

Ocimara Balmant, O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2013 | 21h00

SÃO PAULO - Gustavo Haddad Braga estava no 6.º ano do ensino fundamental quando a professora de matemática lhe contou que havia uma competição da disciplina na cidade em que vivia, São José dos Campos (SP). O concurso era para alunos do 7.º e 8.º anos, mas, como suas notas eram altas, ela o inscreveria.

Foi assim que Gustavo ganhou sua primeira medalha de ouro em olimpíadas do conhecimento. No ano passado, aos 17 de idade e com mais de 70 olimpíadas no currículo, ele já tinha sido aprovado no Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) por três vezes seguidas e garantido sua vaga no curso de Medicina da USP, quando saíram os resultados pelos quais ele mais esperava. Foi aprovado em Harvard, Stanford, Yale, Princeton e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, para onde ele seguiu. Agora, está disposto a ajudar outros brasileiros que também sonham em ver o nome na lista dos matriculados das melhores universidades dos EUA.

"É muito difícil ser aprovado. Quem consegue não pode perder a oportunidade por falta de condições de arcar com o custo. Quatro anos no MIT, por exemplo, custam meio milhão de reais", diz Gustavo. Ele só garantiu sua vaga porque, uma semana antes de o prazo da matrícula expirar, conseguiu uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

"Mas foi uma exceção, porque o órgão é mais voltado à pós-graduação."

No ar desde o sábado, 19, o EduqueMe vai funcionar como uma ponte entre o estudante e o mercado de trabalho. Os alunos aprovados postam seu currículo, e as empresas interessadas em financiá-los podem visualizar os perfis e escolher qual pretende patrocinar. Em troca, o estudante fará um estágio de seis meses a um ano na instituição, durante as férias ou após se formar.

Só para 2013, estima-se que 30 brasileiros sejam aprovados. Até agora, a lista de espera por uma bolsa já tem cinco pessoas: dois de Harvard, um de Columbia e outros dois da Universidade da Califórnia em Berkeley, onde estuda Camila Zattar.

"O projeto é bom para o estudante - não apenas pela bolsa, mas pela oportunidade de trabalhar em uma empresa que valoriza seu esforço - e é bom para a empresa, que consegue criar vínculo com pessoas qualificadas e conectadas com toda uma rede internacional de conhecimento que é muito vantajosa", diz Camila .

É exatamente esse o "espírito" do projeto, que tem a expectativa de, só no primeiro ano, alcançar R$ 20 milhões em financiamento, o equivalente a 40 bolsas integrais. "Esse montante é para as bolsas, mas já temos investidores também para a própria plataforma", diz Anderson Ferminiano, de 18 anos, um dos sócios de Gustavo e com um currículo de deixar muita gente besta.

O jovem começou a trabalhar como programador aos 12 anos e aos 14 conseguiu um estágio na área para ajudar a bancar a mensalidade da escola. Saiu da organização aos 17, quando já era sócio. Nesse meio tempo, aos 15, foi considerado o mais novo "zend certified" do mundo (certificado conferido por meio de uma prova sobre a linguagem de programação PHP, geralmente feita por alunos que já se graduaram na área de programação ou informática). Além disso, recebeu convite para eventos privados do Google.

No ano passado, saiu do trabalho e passou seis meses morando no Vale do Silício para estudar inglês e visitar empresas de tecnologia. Agora, de volta ao Brasil, aguarda os resultados de Stanford. "Minha história é toda ligada a empreendedorismo. Espero que isso seja considerado no momento da seleção."

É que, ao contrário dos vestibulares brasileiros, que avaliam o aluno por meio de uma prova de conhecimentos, a seleção americana considera outros fatores, como prática esportiva e atividades extracurriculares.

Para ser aprovado, o outro sócio do EduqueMe, Henrique Dubugras, de 17 anos, aposta em um currículo que mescla um bom histórico escolar com uma atividade profissional invejável. No segundo semestre do ano passado, por exemplo, ele foi à Alemanha aprender a língua e acabou contratado por uma empresa de programação local. Na volta, deixou um aplicativo pronto. "Eles conseguiram levantar 1 milhão com o protótipo que eu montei", diz.

De volta ao Brasil, sua intenção é prestar o SAT (o exame de seleção americano que funciona nos moldes do Enem, com as notas sendo utilizadas por variadas instituições) ainda em 2013, enquanto cursa o 3.º ano do ensino médio, e partir para a Califórnia com uma vaga garantida em Stanford. E, claro, com o patrocínio garantido pelo EduqueMe.

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