Jornais querem os jovens de volta

Joshua Glas lê a maior parte das notícias na internet. O vendedor de software de 26 anos diz que não tem tempo para os veículos tradicionais, como jornais e revistas, e não tem afinidade com os veteranos que ancoram os telejornais noturnos nas grandes redes de televisão. O colega Mike Papadopoulos, 28 anos, depende dos e-mails dos amigos e da versão eletrônica do New York Times para se manter informado. O engenheiro de software de Flushing, Nova York, parou de comprar o Newsday, há vários anos, depois que os jornais não lidos começaram a se empilhar, e acabou com a assinatura da revista Time porque diz que a maior parte dos artigos não o interessam. Em número cada vez maior, jovens adultos estão se distanciando dos meios de comunicação dos quais seus pais e avôs tiravam informação sobre sua cidade, a região e o mundo. A tendência começou 30 anos atrás, mas se intensificou desde o final dos anos 90. A perspectiva de perder uma geração inteira - aquela que tem hoje entre 18 e 34 anos - produziu uma reviravolta em empresas com dificuldade de promover mudanças - e eram orgulhosas disso. Por exemplo, alguns jornais estão rodando seções semanais repletas de críticas de filmes, de bandas de rock e programações que são encartadas nos jornais e distribuídas de graça em locais da moda. Time, Newsweek e outras revistas aumentaram as notícias sobre a vida estudantil e temas sociais, como direito ao aborto e abstinência sexual. As emissoras de televisão e rádio estão fazendo o mesmo, algumas dando mais visibilidade aos âncoras e correspondentes mais jovens. Em âmbito nacional, 41% dos jovens adultos leram um jornal diário em 2002, virtualmente sem mudanças com relação a 2001, segundo pesquisa da Scarborough Research, em Nova York. A Universidade Estadual da Pensilvânia tem o antídoto para essa tendência. Entre seus alunos, nos últimos cinco anos, ler um jornal diário tornou-se um hábito, graças a um programa que, segundo especialistas, talvez tenha descoberto o segredo de inverter décadas de declínio na circulação. Oitenta e cinco por cento dos alunos da Penn State agora lêem um jornal de circulação local ou nacional, enquanto em 1997 a proporção era de apenas 15%. As autoridades estimam que 1,8 milhão de exemplares, ou 13.200 por dia, foram distribuídos no ano passado para mais de 20 campus. "O programa de jornais nos alojamentos estudantis colaborou muito para levar os jovens a ler jornais diários", disse John K. Hartman, professor de jornalismo da Central Michigan University. "Todo diretor de jornal deveria estar buscando um programa semelhante na sua comunidade". O Programa de Leitura de Jornais da Penn State, o maior desse tipo no país, é uma parceira entre a cidade e a universidade Os jornais são financiados por meio da uma taxa escolar - no valor de US$ 10 a US$ 15 por semestre - paga por todos os alunos. "A leitura diária de um jornal talvez seja o fator mais importante para a pessoa ser um cidadão informado", disse Spanier, que já foi redator e radialista quando estava na faculdade. Mais de 300 faculdades e universidades implantaram programas de diários nos alojamentos estudantis, muitas estimuladas pelo New York Times ou pelo USA Today.

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