Paulo Pinto/AE
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‘Já visitei cerca de 110 casas’

Entrevista com a agente educacional Priscila de Oliva

Tatiana Piva, Jornal da Tarde

10 Setembro 2010 | 11h22

Quantas visitas você já fez?

 

Estive em cerca de 110 casas.

 

Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos agentes educacionais?

 

Acho que a maior delas é receber o formulário de adesão. Se o pai aceita que façamos a visita, então já é um passo muito importante.

 

Qual foi a história mais triste?

 

Uma mãe traficante de drogas que teve de dar uma casa que ganhou da Prefeitura para uns bandidos por causa de drogas. Ela estava morando com cinco crianças numa área livre. Todas estavam com sarna, inclusive a aluna.

 

E a mais marcante?

 

Uma mãe queria muito que a filha estudasse numa escola e mora num bairro distante. Ela fica de segunda a sexta na casa da avó da criança para ficar mais perto da escola da filha. Tem gente muito pobre que acredita na educação e no futuro dos filhos.

 

Como faz para não se envolver emocionalmente?

Não tem como. Quando me deparo com situações muito complicadas, tento ajudar com uma assistência social, com doações, cestas básicas.

 

A Graziella fez pão de queijo e bolo para receber você, isso sempre acontece?

 

Na maioria das casas. As mães e as crianças sentem-se orgulhosas de nos receber em suas casas e querem fazer algo para agradar. Mas eu já engordei sete quilos em três meses!

 

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