Alex Silva/Estadão - 14/06/2022
Alex Silva/Estadão - 14/06/2022

Já popular nas empresas, a sigla ESG ganha salas de aula do infantil à pós

Na educação básica, após implementação da BNCC, crescem os projetos; no ensino superior, cursos ajudam alunos a ingressar no setor e a buscar cargos mais altos

Ocimara Balmant e Vanessa Fajardo, especiais para o Estadão

20 de junho de 2022 | 05h00

Usada para se referir a práticas ambientais, sociais e de governança, a sigla ESG – do inglês, Environmental, Social e Governance – já ganha popularidade há algum tempo no mundo corporativo. Na prática, diz o quanto um negócio busca meios de reduzir seus impactos no meio ambiente, se preocupa com as pessoas e as questões sociais e adota boas práticas administrativas. E essa nova tendência avança nos ambientes educacionais, do infantil à pós-graduação.

Juntos os três pilares do ESG permitem, ainda, que os negócios sejam mais longevos e sólidos, e contribuam para a construção de um mundo mais sustentável. É um compromisso que envolve também a própria viabilidade das companhias, uma vez que o mercado financeiro mostra que levará cada vez mais em conta a responsabilidade social da empresa no momento de incentivar ou desestimular investimentos. Responder a esse cenário exige profissionais capacitados – e eles estão em falta. Um relatório da CFA Institute mapeou no LinkedIn os perfis de 1 milhão de profissionais de investimentos e constatou que apenas 1% tinha alguma formação na área de ESG.

Para atender a essa demanda, as instituições de ensino têm aumentado a oferta de programas relacionados ao ESG. Nas universidades, os cursos, sejam de graduação ou pós, colaboram para que os estudantes ingressem no setor ou se capacitem para galgar postos mais altos no contexto de responsabilidade ambiental, social ou corporativa. 

Enquanto isso, a geração Z, hoje matriculada no ensino médio, já cresce tendo contato com a sigla. Formação socioambiental é, aliás, tema previsto na Base Nacional Comum Curricular, a BNCC. No Colégio Equipe, em São Paulo, por exemplo, os alunos do ensino médio podem participar de projetos sociais como o “Ver o Mundo”, em que constroem um repertório comum de brincadeiras com crianças que são filhos e filhas de migrantes e refugiados. Uma vez por semana, todas as terças-feiras, os adolescentes fazem esse trabalho na Emei Professor Alceu Maynard de Araújo, no Bom Retiro – região bastante conhecida pela produção têxtil e pela alta concentração de população imigrante. 

No fim dos ciclos

E essa preocupação não deve ficar apenas para a próxima geração. Ela já está presente em quem está deixando agora a academia para ir ao mercado de trabalho. 

Antropóloga e professora da graduação e pós da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Carla Cristina Garcia reforça que o tema começou a ser mais discutido há menos de uma década, e hoje ela sente a procura maior de interessados também na área da pesquisa. “Dou aula na PUC há 27 anos e há 15 não conseguiria implementar uma disciplina optativa sobre gênero e diversidade. Agora, no próximo semestre, no curso de Jornalismo, não só implementei, como já não tem mais vagas, a disciplina está lotada. Acredito que os jovens estejam mais críticos”, afirma.

 

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