'Já é tradicional termos greve em maio', diz reitor da USP

João Grandino Rodas fala sobre ocupação de alunos e paralisação; Servidores prometem fechar reitoria nesta terça

Carolina Stanisci, Paulo Saldaña e Simone Iwasso,

24 de maio de 2010 | 21h32

O reitor da USP, João Grandino Rodas, criticou em entrevista ao Estadão.edu a postura de alunos e servidores em protesto na universidade. Desde março, alunos do Crusp - a moradia estudantil da USP - ocupam algumas salas do setor de Assistência Social. Os funcionários ainda estão em greve já fecharam o prédio da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e prometem fechar o prédio da reitoria nesta terça-feira (25). Leia abaixo trecho da entevista.

 

 

Como o sr. avalia a greve de funcionários da USP que começou no início do mês? Tem alguma chance de negociação?

Tradicionalmente nos últimos vinte anos, o mês de maio tem sido o palco de greves, com piquetes e ocupações. Das três universidades paulistas, a USP, a Unicamp e a Unesp, na primeira desenvolveu-se um sindicalismo que usa meios violentos, para fazer valer seus objetivos. Impedem o direito de ir e vir, de trabalhar e de se servir de creches e restaurantes do câmpus universitário. Começa a se esboçar, tanto na sociedade civil paulista, quanto na sociedade interna da USP reação aos métodos acima referidos. Face a reiterada desobediência a determinações judiciais, em passado recente chegou a haver desocupações forçadas pela polícia. Creio que a única maneira de se acabar com o uso da força bruta por parte de sindicatos é as sociedades uspiana e paulista passarem a conhecer detalhadamente o que fazem e como agem os militantes. Ficarão sabendo que, em assembleia de menos de 80 pessoas, determinam greve de 17 mil servidores técnico-administrativos, fecham e patrulham edifícios da Universidade, ameaçando quem deles se aproximam, se servem de pessoal externo contratado, em pequenos ou grandes números, para o qual dão o nome de “membros descontentes da sociedade civil”. Também decretam greve e fazem tomadas e piquetes, mesmo antes da data fixada para o início das discussões salariais, insultam diuturnamente os dirigentes da Universidade e todos aqueles que se colocam em seu caminho.

 

 

Os salários dos trabalhadores estão defasados?

O reajuste salarial recém estabelecido pelo Conselho dos Reitores, de quase 7%, está entre os maiores concedidos a qualquer classe. A situação dos trabalhadores da USP não justifica a violência com que se luta “pelos seus direitos”. As condições de trabalho são dignas, gozando os mesmos de recessos e “pontes” entre feriados, que os demais trabalhadores não possuem. O salário dos servidores da USP está acima do praticado na iniciativa privada. Recebem ainda benefícios superiores aos demais, como por exemplo o auxílio supermercado de R$ 400 por mês, um auxílio creche por filho de R$ 350, além de auxílio-alimentação.

 

 

O Sindicato dos Trabalhadores da USP se queixou, pois os servidores terão os dias de greve descontados.

Do orçamento anual da USP, de cerca de R$ 3 bilhões, cerca de 85% é consumido com salário. Esse dinheiro vem do ICMS, imposto regressivo que grava particularmente os mais pobres – justamente aqueles que praticamente não se beneficiam com a Universidade. Qualquer pessoa que compre feijão e arroz está financiando a USP. Daí a necessidade do cumprimento das leis brasileiras sobre a greve, que determina o desconto dos dias não trabalhados.

 

 

O senhor também enfrenta a invasão de um prédio na Cidade Universitária por moradores do Crusp que se dizem insatisfeitos com as condições de moradia do local.

No que tange aos alunos da USP, é importante lembrar que a situação deles é muito melhor que dos milhões de colegas deles que cursam faculdades particulares. Para falar unicamente nos que se servem dos benefícios de Permanência Estudantil, neste ano já foram despendidos mais de R$ 2 milhões, com bolsas de moradia etc. Há centenas de alunos que recebem R$ 2.000 por mês para auxiliar sua permanência na Universidade, como se pode ver, caso a caso, no sítio da USP, na rubrica “transparência USP”. Assim, nada justifica a tomada por parte de alguns alunos e mesmo de pessoas estranhas à USP que ocupam, há mais de um ano, após terem depredado, o espaço então recentemente construído e inaugurado para a vivência estudantil. Do mesmo modo, é injustificável a tomada dos alunos e estranhos, que ocupam há muitas semanas parte da sede administrativa da Coordenadoria de Assistência Social.

 

 

Quando o senhor assumiu, levantou a bandeira do diálogo e da transparência. Como avalia sua gestão até aqui nesse aspecto?

Além dos canais normalmente existentes na estrutura da Universidade, há canais diretos com a Reitoria para diálogo. Por outro lado, a Universidade vem iniciando trabalho visando a transparência, inclusive, pela “internet”, de seus orçamentos, dispêndios etc.

 

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