CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

Invasão foi por proibição de festas, diz reitoria da PUC-SP

Universidade afirma que proibição, após multas por barulho, foi estopim da ocupação, e que já pediu reintegração de posse

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 16h57

Atualizada às 20h42
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) disse nesta quarta-feira, 18, que a invasão da reitoria por um grupo de pelo menos cem alunos, na noite de terça-feira, 17, ocorreu por causa da determinação da instituição de proibir festas no câmpus Perdizes, na zona oeste da capital paulista. E também afirmou que já pediu a reintegração de posse das salas da reitoria.
Cerca de 70 alunos passaram a noite no local. Eles levaram travesseiros, colchões e comida. Na manhã desta quarta, tiveram adesão de alunos do período da manhã, reunindo cerca de 300 manifestantes. Até o fim da noite, eles continuavam na ocupação. 
“Entendemos que o estopim para a invasão ocorre por causa do trabalho feito pela reitoria para impedir a realização de festas e de presença dos alunos no interior da universidade após o seu horário de funcionamento”, disse o pró-reitor de cultura e relações comunitárias, Jarbas Vargas Nascimento. 

A universidade afirmou que a ocupação é “ilegal e criminosa” e disse já estar tomando as medidas necessárias para “a imediata reintegração de posse das salas da reitoria”. A instituição ainda não sabe se houve prejuízo ao patrimônio, mas confirmou que há câmeras de vigilância na entrada do local e que vai abrir sindicância para apurar os responsáveis pela invasão. 
Segundo a instituição, por causa das festas, a PUC foi multada três vezes em R$ 35 mil no ano passado por excesso de barulho, e há “inúmeras reclamações de vizinhos”. No mês passado, uma determinação interna proibiu a realização de festas no interior da faculdade, com previsão de punição aos alunos. 
Discussão. Os alunos, no entanto, dizem que as reivindicações são outras e negam a relação da ocupação com festas. “É uma manobra da reitoria para mudar o foco do que a gente está pedindo. Em momento algum falamos sobre festa, que nem é o movimento estudantil que organiza”, disse o estudante do curso de Jornalismo Bruno Matos, de 25 anos. Os alunos reclamam de falta de transparência na gestão atual, da falta de diálogo, do reajuste de 10% nas mensalidades e cobram ainda a demissão, no ano passado, de 50 professores, cerca de 3% do corpo docente da instituição. Eles disseram ainda que houve corte de subsídios no restaurante, que teria passado de R$ 5,60 a R$ 10,30. 
A PUC afirmou que o reajuste “acompanha a margem das instituições privadas de ensino (entre 10 e 12%)”, mas que “oferece desconto de 3% para quem realiza pagamento no início do mês”. Já em relação ao subsídio da alimentação, declarou que oferece bolsas no restaurante de 100% para alunos do ProUni, além de ter a opção de subsidiar em 50% estudantes com necessidade socioeconômica. O benefício é fornecido por meio de edital e, segundo a instituição, só teve adesão de 200 alunos, de um total de 700 bolsas parciais. Já nas bolsas de 100%, houve adesão de 695, de um total de 700. A PUC disse ainda que é auditada pelo Ministério Público e por auditorias internacionais e que apresenta suas contas regularmente nos órgãos colegiados competentes. 

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