Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Interpretação foi mais importante que cálculos na prova de Matemática

No mesmo molde que nos anos anteriores, a interdisciplinaridade aproximou as questões ao cotidiano dos candidatos; para alunos, isso facilitou a compreensão

Bárbara Mangieri, Isabela Palhares e Sara Abdo, Especiais para o Estado

06 Novembro 2016 | 23h09

SÃO PAULO - A prova de Matemática e suas Tecnologia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicada neste domingo, 6, seguiu a tendência dos anos anteriores ao abordar questões do cotidiano. Alguns dos enunciados tratavam de cisternas, dengue e má utilização dos recursos hídricos. 

O professor Célio Tasinafo, diretor do Colégio do Estudante, em Campinas, no interior de São Paulo, avaliou que a prova de Matemática exigiu muita interpretação. "O aluno não precisou chegar na prova com fórmulas decoradas, bastava saber interpretar o enunciado da questão e saber conceitos básicos de geometria espacial e trigonometria", disse.

A mesma análise fez Alexandre Borges Leomil, professor de Matemática do Colégio Etapa, em São Paulo. "Algumas questões pediam cálculos simples, mas o aluno precisava ler o enunciado com atenção para perceber qual cálculo deveria ser feito."

Leomil chamou a atenção para a ênfase dada em questões de geométrica espacial e plana em detrimento das questões de trigonometria, que segundo ele quase não apareceram. 

O candidato Thiago Lemos, de 17 anos, estava otimista em relação à prova de Matemática, importante para a carreira de Engenharia que ele pretende seguir.

Segundo o estudante, os testes foram bem contextualizados e abordaram conteúdos diferentes. "Caiu duas questões de log, mas elas não eram tão complexas. Acredito que quem conseguiu resolver essas duas questões vai se sobressair em relação aos outros candidatos", afirmou Lemos, ao deixar o câmpus Vergueiro da Universidade Paulista (Unip), na zona sul da capital paulista.

Leomil avaliou que neste ano a interdisciplinaridade nas questões foi sutil, mas importante. "Misturar disciplinas ajuda a aproximar os problemas da realidade do aluno, pois assim se aborda situações do dia a dia, que podem ser resolvidas apenas com o conhecimento matemático."

A estudante Sheila Felix, de 32 anos, quer cursar Direito. Ela disse ter achado a prova de Matemática muito difícil, mas que foi bem em exercícios de estatística e probabilidade. "Quando a questão traz algum contexto, fica mais fácil de resolver", disse a candidata, que fez o exame na Unip Vergueiro.

Thiago Dutra, professor de Matemática do Anglo Vestibulares, observou que a novidade neste ano foi a cobrança da compreensão do conceito matemático. Para o professor, quem entendeu o enunciado com precisão ganhou tempo e vantagem em relação aos que demoraram um pouco mais para interpretar o conceito matemático pedido. Segundo o professor, a boa interpretação do enunciado livrava o aluno de contas longas e complexas. 

Dutra analisa que esse modelo de questão já começa a ser usado em outros vestibulares como os da Fuvest e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Ele avaliou que, de modo geral, neste ano a prova estava no mesmo molde e nível de dificuldade dos anos anteriores. "O candidato precisava estar muito concentrado, (a prova) só dá tempo para uma primeira leitura." 

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