Internos da Fundação Casa estudam com ajuda de plataforma

Internos da Fundação Casa estudam com ajuda de plataforma

140 adolescentes utilizam a Khan Academy desde agosto dentro de unidades do Estado de São Paulo

Natacha Kawanishi Mazzaro, Especial para O Estado

03 Dezembro 2014 | 03h00

Subtração, multiplicação, aritmética e geometria ganham vida na tela do computador. Na pequena sala do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente Rio Tâmisa, no Brás, região central de São Paulo, cinco adolescentes não tiram os olhos do monitor. Estão concentrados. Cena que se repete desde que passaram a estudar matemática com o auxílio da plataforma gratuita Khan Academy

Há quatro meses na Rio Tâmisa, Pedro (nome fictício), de 16 anos, já vê o resultado de seu esforço. "Quando eu cheguei aqui, não sabia quase nada e tinha bastante dificuldade em sala de aula", relata. Após dois meses estudando por meio da plataforma, o adolescente melhorou seu desempenho. "Tirei 8,5 na última prova de matemática", orgulha-se. Antes, a nota costumava ser 4,5.

Ele é um dos 140 adolescentes que desde agosto utilizam a Khan Academy dentro de unidades da Fundação Casa do Estado de São Paulo. A plataforma internacional, com videoaulas e exercícios de matemática, é usada por mais de 50 milhões de pessoas no mundo e, em janeiro, foi traduzida para o português. A iniciativa nasceu da parceria entre as Fundações Casa e Lemann - e tem o objetivo de auxiliar o aprendizado desses jovens, que têm em comum a defasagem escolar. 

Por enquanto, as salas de seis unidades passaram por ajustes técnicos para permitir o uso da plataforma. Os computadores, que até então não tinham acesso à internet, foram adaptados para entrar somente no site da Khan Academy. Na Casa Rio Tâmisa, oito computadores recebem quatro turmas. Ao todo, são 32 jovens, que acessam a plataforma uma vez por semana, durante uma hora e meia. 

“O desenvolvimento dos alunos que estão fazendo o uso da plataforma Khan está sendo positivo”, diz a professora de matemática Rozeli Imaculada Banezi. “Existe um link entre os momentos de aprendizado: o momento da informática e o momento de contextualização em sala de aula.” 

O coordenador pedagógico da Casa Rio Tâmisa, Sandro de Souza Medeiros, explica que a plataforma estimula a aprendizagem, ao funcionar como um jogo, à base de pontos e medalhas. A plataforma permite que cada aluno tenha aprendizado personalizado. Também por meio dela, o professor consegue identificar, a partir de um gráfico de desempenho, dificuldades e facilidades individuais.  

Gustavo (nome fictício), de 15, participou em setembro da final da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Há seis meses cumprindo medida socioeducativa, ele usa a plataforma para estudo e conta que quer cursar engenharia quando sair da unidade, o que não deve demorar a ocorrer. O adolescente diz que a mãe está animada com o desempenho e pretende ajudar a realizar o sonho. O tempo de internação na Casa Rio Tâmisa costuma ser de sete a nove meses. 

Cada jovem tem login e senha para entrar na plataforma. Depois de cumprir o tempo de internação, o adolescente pode acessar seu login de qualquer computador e continuar seus estudos. Até dezembro, a instalação do Khan Academy está em fase experimental. Após avaliação interna, será levada gradualmente aos 149 centros socioeducativos em funcionamento no Estado de São Paulo. 


Aluna da PUC-SP, Natacha Kawanishi Mazzaro foi finalista do 9º Prêmio Santander Jovem Jornalista 

A fase final e a cerimônia de premiação ocorreram na segunda-feira, na sede do banco, com a participação dos diretores de Conteúdo e Desenvolvimento Editorial do Grupo Estado, Ricardo Gandour e Roberto Gazzi, respectivamente, e de Marcos Madureira, vice-presidente executivo de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander Brasil.  Rossetto e os outros cinco universitários finalistas - Leon Domarco Botão (Unimep), Rafaela Tavares Kawasaki (Unitoledo), Natasha Kawanishi Mazzaro (PUC-SP), Juliana Verri Ribeiro (Unitau) e Lucas Gabriel Santiago Rangel (Faat) - receberam laptops e garantiram a publicação de suas matérias. A reportagem do vencedor também está hoje no jornal O Estado de S. Paulo. 

Confira os textos de todos os finalistas: 

Sem fronteiras para a educação

Programação vira ferramenta de aprendizagem

Com os smartphones, educação tem novas possibilidades

Games ganham espaço nas salas de aula

Em site, indígenas ensinam sua história

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