Interdisciplinaridade foi marca da prova da Unesp

No primeiro dia do vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com a prova de conhecimentos gerais aplicada neste domingo, a novidade apontada por professores dos cursinhos foi a interdisciplinaridade das questões - apesar de o exame ser dividido por disciplinas . A inclusão de perguntas desse tipo também foi adotada neste ano no processo seletivo da Fuvest, que faz o vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Outra característica apontada pelos professores foi a ausência de cálculos complicados, como na prova de matemática, o que também chamou a atenção. A maioria considerou que as questões tiveram um bom nível, adequado para uma prova de conhecimentos gerais. Neste ano, a Vunesp, entidade responsável pela realização do exame, prometeu uma prova com enunciados mais enxutos e contextualizados, usando referências do cotidiano. As 12 questões de matemática, por exemplo, apresentaram aos candidatos a necessidade de interpretação de textos e leitura de gráficos. Os enunciados trouxeram temas relacionados a geografia e química. ?A prova apresentou problemas concretos e nenhuma questão era demorada para ser resolvida?, disse o professor Giuseppi Noblinioni, do Curso Objetivo. Outra disciplina considerada com nível adequado foi inglês. Neste ano, apenas uma das questões cobrou conhecimentos sobre gramática, uma tendência segundo os professores. ?O que se cobra é que o aluno leia o texto e entenda o que quer dizer?, diz a professora Cristina Armaganijan. A leitura atenta também foi necessária na prova de geografia. Apesar de considerada simples pelos professores, os temas foram variados, como a crise enfrentada pela agricultura este ano. ?A prova teve questões simples, com leitura de gráficos?, disse a professora Vera Lúcia de Costa Antunes. A prova de Física, considerada a mais difícil por alunos, teve um destaque negativo, segundo o professor Eduardo Figueiredo. A questão 44, segundo ele, apresentou duas possibilidades de resposta, ?C? (alternativa considerada correta pela Vunesp) e ?E?. ?O bom aluno pode ser prejudicado?, disse. ?Acho que deve ser anulada, pois induz ao erro.? Candidatos consideram prova mais fácilNa capital e no interior, candidatos que realizaram o exame perceberam a diferença na prova, considerada por eles mais fácil do que as da Fuvest e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Depois da prova o sentimento era de ansiedade entre eles. Em São Paulo, Camila Jupa, de 17 anos, saiu confiante. ?Não esperava ir tão bem?, disse. Ela concorre a uma vaga no curso de Medicina, em Botucatu.?O mais difícil é controlar o nervosismo?, disse Maria Letícia Juliano, que concorre a uma vaga de Ciências Sociais no campus de Marília, interior do Estado. Ela prestou o exame na região do Vale do Paraíba, onde a prova foi realizada em escolas das cidades de São José dos Campos e Guaratinguetá por cerca de 6 mil estudantes. Ela mesma viajou de Taubaté até São José dos Campos para fazer o exame. A aluna estava acompanhada dos pais, que ficaram esperando a realização até às 18 horas, prazo final para saída. Três horas e meia depois do início das 84 questões, os estudantes deixaram as salas. Alguns ficaram até o final, como Letícia. ?Fiquei até o último minuto. Me expulsaram de lá?, disse rindo. Para a candidata, o prova foi mais fácil que outros vestibulares ?como da Unifesp e da Fuvest?. ?Geografia estava bem fácil e na minha opinião as mais difíceis foram as questões de Exatas?. Já os amigos Jean Guimarães e Charles Igor da Silva acharam que as questões de matemática foram mais simples. ?Fui bem, não estava tão difícil?, afirmou Charles, que tenta uma vaga no curso de Engenharia de Produção, também no interior. ?Estou apavorado?, disse Diomedes Marcolini, 20 anos, de Ribeirão Preto, que busca uma vaga em Medicina Veterinária. É o segundo vestibular que ele presta. No ano passado prestou Fuvest e não conseguiu entrar. Neste ano fez cursinho e tenta novamente. Hugo Fernando Barbosa Gomes da Silva, 17, de Uberaba, não considerou a prova difícil. Disputando uma vaga no curso de Direito, ele disse que de um modo geral a prova foi fácil. ?As questões de história precisavam de maior análise?, diz. Para Franciele de Souza, 17, candidata ao curso de Fisioterapia, a prova foi mais fácil que a da Fuvest, mas encontrou mais dificuldade em química. ?Até parecia prova de escola?, afirmou a candidata. Na cidade, também houve um problema de endereço. Uma instituição de mesmo nome e com duas unidades na mesma rua (uma de ensino médio e uma de ensino superior), distante cerca de 600 metros uma da outra, confundiu candidatos ao vestibular da Unesp neste domingo em Ribeirão Preto. Muitos candidatos chegavam a um local, mas a prova seria no outro. Pelo menos dois alunos tiveram que correr de uma unidade para outra, às 13h45, para conseguir chegar a tempo. Um deles conseguiu uma carona de motocicleta e foi, sem capacete, para a outra unidade. Com isso, um candidato conseguiu chegar faltando apenas um minuto para o fechamento dos portões. Ninguém chegou a perder a prova, mas a escola destacou alguns professores para conferir o endereço dos que chegavam, para evitar problemas.ProcessoNeste ano, a Vunesp, registrou 92.802 candidatos inscritos. Eles concorrem às 6.189 vagas em 168 opções de cursos de graduação da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O índice de abstenção foi de 21,1% - 3% a mais em relação a 2005.Nesta segunda-feira, os candidatos fazem a prova de conhecimentos específicos, com 25 questões dissertativas. As disciplinas que compõem a prova são diferentes para cada curso escolhido. Na terça será a prova de língua portuguesa, com dez questões dissertativas e redação. O resultado será divulgado em 2 de fevereiro. A matrícula dos convocados deve ser feita nos dias 12 e 13 de fevereiro.

Agencia Estado,

17 de dezembro de 2006 | 21h39

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