'Intercâmbio deve ser recíproco', diz ex-reitor da Universidade de Salamanca

Presidente de comitê que organiza reunião de reitores elogia CsF e diz que Brasil precisa receber mais estudantes

Guilherme Soares Dias, especial para o Estado, Estadão.edu

25 Março 2014 | 03h00

O presidente do comitê organizador do 3.º Encontro Internacional de Reitores Universia e ex-reitor da Universidade de Salamanca, Don Ignacio Berdugo (foto), defende que o Brasil não apenas exporte alunos como também traga estrangeiros para estudar no País. Em entrevista ao Estado, Berdugo falou sobre intercâmbio e internacionalização das universidades – temas que vão permear o encontro entre mil reitores de todo o mundo que ocorrerá em julho, no Rio de Janeiro.

Qual é o maior desafio para a internacionalização das universidades?

As universidades têm de responder os desafios das sociedades. O debate mais importante hoje é a internacionalização, a universalização do saber e do conhecimento. Não podemos ter fronteira para isso. A internacionalização começa com o envio de estudantes, mas passa também pelo compartilhamento do conhecimento nos centros de pesquisas. Também requer respostas organizativas, como escritório que dê respaldo para o aluno que migra. E envolve questões de mobilidade – um médico brasileiro poder atuar em outro país, por exemplo, é a última consequência dessa mobilidade. É um desafio que está no horizonte. Isso melhorou nos últimos 30 anos, ajudado por novas tecnologias que melhoraram a comunicação.

Como o senhor vê o programa Ciência Sem Fronteiras, do governo brasileiro?

É um programa exemplar no mundo, é uma aposta do governo na educação. O direito educativo não é algo que interessa apenas às universidades ou aos universitários, mas também aos governos. Para fazer algo de qualidade é preciso olhar para a internacionalização e para a mobilidade. Há também condicionantes internas, supondo um esforço das universidades e não apenas do governo. Há ainda a responsabilidade de que o País também seja atrativo para que estudantes de outros lugares venham para cá. Se o Brasil manda 100 mil estudantes brasileiros para fora, tem de receber outros 100 mil. É preciso buscar a reciprocidade, para que a qualidade que grande parte das instituições brasileiras têm seja exteriorizada.

O que a crise econômica mudou na relação entre Brasil e Espanha?

Uma consequência clara da crise econômica é o aumento da mobilidade profissional e de estudantes, que buscam oportunidades fora do nosso país. Isso é bastante dramático, pois os melhores profissionais passam a contribuir com desenvolvimento de outras nações.

O encontro de reitores que vai discutir a internacionalização das universidades ocorre no Brasil neste ano. Qual é o desafio comum e o que será discutido?

Teremos a possibilidade de encontrar universidades de outros países e compartilhar experiência, práticas e criar condições que possibilitem a internacionalização. O que nos une é a história comum, raiz compartilhada. Esperamos 1,2 mil reitores no Rio, de universidades particularmente selecionadas. Será diferente dos outros encontros, em que se discutia o que pensam os reitores sobre si mesmos. Agora haverá debates sobre o que a sociedade pensa sobre nós.

Há desafios parecidos para o ensino superior aqui no Brasil e na Espanha?

Creio que são distintos. Há coisas comuns, mas muitas diferenças. Na Espanha, a maior parte dos estudantes está em universidades públicas, enquanto no Brasil a maior parte está em particulares. O Brasil é um país com desafios claros na educação, que precisa de mais universidades. É uma nação muito grande, portanto, os desafios são maiores. Vocês não podem concentrar a educação apenas nas capitais dos Estados, mas em todas as cidades do território. Na Espanha, um país pequeno, isso é mais fácil.

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