Arquivo Pessoal
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Intercâmbio começa já aos sete anos

Viagens ao exterior para estudos e passeios atraem estudantes cada vez mais jovens

Luciana Alvarez,

30 Agosto 2010 | 09h42

Tradicionalmente voltados para estudantes do ensino médio, os intercâmbios para o exterior expandiram seu perfil, diversificaram as opções e são oferecidos hoje para crianças a partir dos sete anos.

 

 

Mesmo sendo difícil para os pais deixar filhos pequenos sozinhos por um período longo de tempo, a prática em outro idioma, a experiência cultural, as novas amizades e o amadurecimento propiciado pela viagem são os motivos apontados pelas famílias para permitirem os intercâmbios - de curta ou longa duração.

 

 

"Dá medo e a saudade é tanta que chega a doer, mas a gente sabe que é para o crescimento deles", relata a engenheira química Luciana Dellape Baptista. Seu filho mais velho, Adalmiro, hoje com 16 anos, já fez três intercâmbios. No primeiro, ele tinha acabado de completar 14 anos. Gostou tanto que continuou fazendo nos anos seguintes. O mais novo, Rodrigo, foi em julho, aos 13, para os Estados Unidos.

 

 

"Logo no primeiro dia, do primeiro intercâmbio que eu fiz, perdi o último ônibus para a escola", conta Adalmiro. "A vontade era ligar para meus pais me buscarem, mas tive de resolver sozinho", diz. O garoto encarou sozinho uma caminhada de alguns quilômetros e conseguiu chegar sozinho.

 

 

Para a gerente da STB, Marcia Mattos, a mudança no perfil de quem procura a empresa tem relação com mudanças na sociedade. "Com toda essa informação de hoje, os meninos têm vontade cada vez mais cedo de fazer um intercâmbio. E muitos pais também já fizeram, então estão mais informados", explica.

 

 

Pais que reconhecem a importância do intercâmbio, mas não conseguem deixar os filhos sozinhos, podem optar por programas familiares. "Há um número de escolas que também acolhem famílias, mas os pais conseguem dar a liberdade e ficar por perto ao mesmo tempo", diz Fabio Carola, gerente da IE intercâmbio.

 

 

O professor universitário Sergio Magaldi e sua mulher ficaram seis semanas estudando no Canadá antes de deixar o filho, João Vicente, passar um ano e meio sozinho no país. "O interessante foi ter algo de acordo com cada perfil. Eu e minha mulher ficamos na casa de uma senhora, enquanto meu filho ficou em uma casa com pessoal mais novo, mas na mesma cidade", diz.

 

 

Diversão. Além de estudar bastante, quem viaja nas férias quer também se divertir. "Muitos aproveitam os meses de férias para não interromper os estudos, mas sabemos que o objetivo também é passear", afirma Adriana Covelo, da Bex Intercâmbio. A empresa Experimento, por exemplo, tem um intercâmbio para adolescentes na Disney. Thaís Camargo, de 15 anos, adorou passar as férias em um intercâmbio no Canadá. "Aprendi muito e conheci um lugar diferente. Nem deu tempo de ter saudade de casa."

 

 

O estudante Daniel Rocha Correa, de 15 anos, também aproveitou para passear durante sua temporada em Ascot, Grã-Bretanha. "Fui umas mil vezes para Londres. Visitamos até Paris. Foram as férias das férias", afirma. "Entre os mais novos, muitos querem ir mesmo pela viagem. Os mais velhos que pensam no aprendizado e na questão cultural ", diz Adriano Pioli, da CI.

 

 

Oportunidade. Todos os anos, os United World Colleges, rede com 13 colégios em vários países, recebem jovens com idades entre 15 e 19 anos para dois anos de estudos e convívio multicultural. Os interessados em concorrer às bolsas para o período de 2011-2013 podem se inscrever até o dia 4/11 pelo site da entidade http://www.uwc.org.br/

 

 

 

 

PRESTE ATENÇÃO

 

1. Planejamento. Programe-se com antecedência, pois há muitos detalhes a serem acertados, desde escolher o destino e juntar dinheiro até tirar visto e comprar roupas adequadas.

 

 

2. Empresa. Antes de fechar contrato, investigue a companhia, veja se há reclamações no Procon ou consulados, fale com pessoas que já tenham viajado por ela.

 

 

3. Amigos. Adolescentes se sentem mais seguros em viajar com amigos, mas quando chegarem ao destino devem procurar a companhia de estrangeiros, para não falarem só português.

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