Intelectuais destacam capacidade de Ianni para diálogo

Colegas de universidades e ex-alunos acompanharam o enterro do corpo de Octavio Ianni, na tarde de segunda-feira em Itu (SP), a cidade natal do sociólogo. Ianni morreu no domingo, no Hospital Israelita Albert Einstein, em conseqüência de um câncer.Ele tinha 77 anos e estava em atividade até o mês passado, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi lá e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) que o sociólogo encontrou abrigo nos anos 70, após ser aposentado compulsoriamente pelo regime militar, em 1969. Em março, Ianni deu a aula inaugural da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, relacionando ciência e arte.Nos anos 50, ele desenvolveu, ao lado de Fernando Henrique Cardoso, a continuação do estudo iniciado por Florestan Fernandes, entre outros, a respeito do negro no Brasil. ?Foi a primeira vez que se deu atenção à condição social e estrutural do negro?, disse o antropólogo João Baptista Borges Pereira, professor emérito da USP, como Ianni, que recebeu o mesmo título da Unicamp.Convicção e respeitoPara Reginaldo Nasser, coordenador do curso de Relações Internacionais da PUC, Ianni era um professor dedicado que, embora tivesse uma postura convicta ? era marxista ?, sabia ouvir o contraponto weberiano e primava pela ética. ?Ianni não gostava que lhe pedissem comentários sobre sua obra. Dizia que isso era para os outros, não para ele.?Nascido em 1926, Ianni se formou em ciências sociais na USP, onde fez mestrado, doutorado e livre-docência. Foi também professor em universidades de outros países, como México, Estados Unidos, Espanha e Itália.Ianni participou da chamada escola de sociologia paulista. Nos últimos anos, dedicou seus estudos à globalização, deixando clara sua visão crítica em artigos e livros.Mesmo doente, nos últimos meses, o professor continuava atendendo alunos e pesquisadores em sua sala no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Suas principais obras são: Cor e mobilidade social em Florianópolis (1960, em colaboração); Homem e sociedade (1961); Metamorfoses do escravo (1962); Industrialização e desenvolvimento social no Brasil (1963); Política e revolução social no Brasil (1965); Estado e capitalismo no Brasil (1965); O colapso do populismo no Brasil (l968); A formação do Estado populista na América Latina (1975); Imperialismo e cultura (1976); Escravidão e racismo (1978); A ditadura do grande capital (1981; Revolução e cultura (1983); Classe e nação (1986); Dialética e capitalismo (1987); Ensaios de sociologia da cultura (1991); A sociedade global (1992).

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